e-revista Brasil Energia 504

52 Brasil Energia, nº 504, 30 de junho de 2026 Marcos Madureira Marcos Madureira é engenheiro eletricista pela UFMG, com pósgraduações pela Fundação João Pinheiro, Fundação Dom Cabral, IBMEC e Fundação Arcadas da USP. Escreve na Brasil Energia bimestralmente. Soluções como o LRCap e o leilão de baterias são saídas tecnicamente adequadas para trazer maior segurança e reduzir o risco de apagões no SIN. Mas elas resolvem apenas as consequências do problema, sem que a sua causa raiz seja tratada Remédio para a febre não resolve. É preciso atacar as causas As organizações empresariais e a administração pública têm sido impactadas, desde o século passado, por uma metodologia altamente eficaz para solucionar problemas — dos mais simples aos mais complexos: a Metodologia de Análise de Causa Raiz (RCA - Root Cause Analysis). Com ela, tornou-se corriqueiro o uso do Funil da Resolução de Problemas, que se desdobra em quatro passos fundamentais sustentados por ferramentas consagradas: 1. Definir o Problema 2. Investigar as Causas (Como e por que aconteceu?): Diagrama de Ishikawa (Espinha de Peixe) - Regra dos 5 Porquês 3. Analisar e Priorizar (O que atacar primeiro?): Princípio de Pareto (Regra 80/20) 4. Plano de Ação e Bloqueio (Como garantir que não se repita): Plano de Ação Infelizmente, esquecemos esse processo revolucionário quando tratamos da segurança do Sistema Elétrico Brasileiro (SEB). O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tem relatado uma enorme dificuldade operacional para efetuar a gestão das fontes de energia e manter o equilíbrio com a carga. Seus técnicos convivem, no mesmo dia, com a sobra de energia - principalmente no período diurno, por volta das 14 horas - e com a necessidade de introduzir, em poucas horas ao final da tarde, cerca de 40 GW de potência para atender à rampa de carga, fenômeno conhecido como a “curva do pato”. Esses fatos são de amplo conhecimento dos agentes do setor, dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, e de grande parte da população, devido à cobertura midiática. Ou seja: o problema está exposto. Mas o que está sendo feito na prática? A introdução acelerada de fontes renováveis nos últimos anos trouxe instabilidade ao sistema elétrico. Isso ocorreu tanto pelo excesso de oferta em relação ao mercado quanto pela intermitência e inflexibilidade desse perfil de geração, impulsionado majoritariamente por um excesso de subsídios e incentivos. Como consequência, criaram-se gargalos operacionais. Até o momento, a solução imediata tem sido o corte da geração centralizada. Em 2025, esses cortes atingiram cerca de 30% da energia produzida pelas usinas eólicas e solares centralizadas, além do vertimento não turbinável de usinas hidrelétricas. Recentemente, inaugurou-se também o corte de gerações distribuídas (tipo 3), acionadas pelas distribuidoras - as quais, vale destacar, não são as causadoras principais desse fenômeno. Soluções mais estruturantes estão programadas, como a instalação de um grande parque de geração de capacidade através do LRCAP (formado essencialmente por usinas térmicas e hidráulicas) e a previsão de um leilão de baterias para absorver os excessos de geração nos horários de so-

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