e-revista Brasil Energia 504

Brasil Energia, nº 504, 30 de junho de 2026 55 Paulo Pedrosa, presidente- -executivo da Abrace, a associação dos grandes consumidores de energia, defende uma mudança profunda no setor: a energia não pode mais ser tratada como um fim em si mesma, focada nos interesses da própria cadeia, mas sim como instrumento para alavancar a competitividade e a reindustrialização do Brasil. Para o executivo da associação, que reúne mais de 50 grupos empresariais responsáveis por quase de 40% do consumo industrial de eletricidade e 42% de gás do país, a lógica atual criou o que ele classifica como uma “política anti-industrial energética”. O resultado é uma explosão de encargos, impulsionada pelo crescimento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e do Encargo de Potência (ERCAP), que financiam desde subsídios a painéis solares importados até contratação de usinas termelétricas inflexíveis e projetos nucleares. Em entrevista ao programa As Lideranças Empresariais, série especial de entrevistas da Brasil Energia, ele argumenta que o país desperdiça sua vantagem em recursos renováveis devido aos altos custos gerados por encargos e subsídios, que acabam encarecendo a produção nacional. Para reverter esse quadro, Pedrosa propõe o “Plano Real da Energia”, inspirado na estabilização monetária dos anos 1990. A ideia é criar uma camada de consumo voltada à eletrificação e descarbonização, permitindo que novos projetos industriais tenham participação reduzida nos encargos durante uma fase de transição. O crescimento dessa demanda ajudaria a utilizar melhor a infraestrutura e a diluir os custos fixos do sistema elétrico. Um dos destaques da entrevista foi a defesa de uma agenda mais ambiciosa para o gás natural, que, na visão da Abrace, deveria desempenhar papel central na reindustrialização e na descarbonização da economia brasileira. Apesar de reconhecer avanços regulatórios na atuação Abrace quer colocar o consumo no centro da política energética Paulo Pedrosa, presidente-executivo da Associação dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres, defende energia como instrumento de industrialização e crescimento e propõe pacto nos moldes do Plano Real | POR MARCELO FURTADO |

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