e-revista Brasil Energia 504

56 Brasil Energia, nº 504, 30 de junho de 2026 As Lideranças Empresariais Paulo Pedrosa, Abrace da ANP, ele alertou para o risco de ociosidade das infraestruturas e “morte” das empresas de gás a longo prazo, caso o custo da molécula continue expulsando a indústria para fontes como a biomassa. “Se o Brasil não aproveitar essa janela, no final das contas os ativos não depreciados vão virar um problema para os governos indenizarem. A solução é dobrar o consumo pela metade do preço”, afirmou, defendendo a adoção de contratos de longo prazo com a indústria, desvinculados da indexação internacional, para viabilizar novas fábricas de beneficiamento mineral e siderurgia. Veja os principais pontos da entrevista: Energia para o desenvolvimento: O debate não deve focar apenas na expansão da oferta e rentabilidade dos agentes. O sucesso do setor elétrico deve ser medido pelos resultados entregues à sociedade, como geração de empregos e aumento da produtividade. Encargos e política anti-industrial: A expansão de encargos como a CDE e o ERCAP vem transferindo custos crescentes para os consumidores produtivos. Na visão da Abrace, o modelo atual cria uma espécie de política anti-industrial, uma vez que os encargos se acumulam ao longo das cadeias produtivas e acabam incorporados ao custo dos produtos brasileiros, reduzindo sua competitividade tanto no mercado interno quanto nas exportações. Plano Real da Energia: Inspirado na transição promovida pelo Plano Real, Pedrosa propõe a criação de uma nova camada de consumo voltada à eletrificação, à descarbonização e ao desenvolvimento industrial. A ideia é permitir que novos empreendimentos estratégicos tenham uma participação reduzida nos encargos durante um período de transição, contribuindo gradualmente para o sistema à medida que os custos estruturais sejam corrigidos. Indústria verde e gás natural: A transição energética deve focar na agregação de valor (aço de baixo carbono, hidrogênio verde, data centers). Além disso, o gás natural do pré-sal precisa ganhar escala por meio do consumo industrial e contratos de longo prazo, transformando a abundância do insumo em vantagem competitiva. Subsídios transparentes: Pedrosa critica o modelo que financia políticas públicas por meio da conta de energia. Segundo ele, programas considerados legítimos podem acabar produzindo efeitos econômicos indesejados quando seus custos são incorporados diretamente às tarifas. A proposta da Abrace é transferir esses subsídios para o orçamento público, permitindo maior transparência, controle social e debate político sobre suas prioridades. Assista a entrevista na íntegra aqui:

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