Brasil Energia, nº 504, 30 de junho de 2026 59 É aparente contrassenso a maior floresta tropical do mundo, a Amazônia, com toda sua biodiversidade, não encontrar forma de se suprir de combustíveis de origem vegetal para geração de energia termelétrica, precisando recorrer ao diesel fóssil e ao óleo combustível, ambos de alta carga poluente. De fato, os sistemas isolados da Amazônia Legal dependem majoritariamente de geração termelétrica fóssil. O planejamento mais recente da EPE aponta 160 sistemas isolados atendendo cerca de 1,96 milhão de pessoas, com o óleo diesel respondendo por aproximadamente 70% da geração elétrica dessas localidades em 2025. Analisando o problema mais de perto, porém, o que pode parecer contradição é na verdade resultado de cenário distante de soluções triviais. Uma simples troca do combustível fóssil pelo renovável, no caso o biodiesel B100, que pode ser a solução de descarbonização do parque térmico amazônico, sofre inúmeros obstáculos. Tecnicamente, a conversão não é problema, haja vista o último leilão de reserva de capacidade, o LRCAP 2026, ter contratado pela primeira vez usinas térmicas a 100% biodiesel, que serão convertidas em 2030 a partir de instalações existentes a diesel. Segundo o gerente de desenvolvimento de negócios da fabricante de motores finlandesa Wärtsilä, Adriano Marcolino, que fará a conversão de uma das usinas contratadas no leilão, a conversão é “drop-in”: o ciclo de funcionamento do motor não muda, sendo necessária apenas a revisão dos sistemas de admissão e alimentação de combustível, a checagem de eventuais vazamentos e adequações na tancagem, para prolongar a vida útil do biodiesel. A empresa será responsável pela adaptação da usina Petrolina, uma das Esta série editorial, produzida pela Brasil Energia, conta com o apoio de Âmbar Energia e Eneva
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