e-revista Brasil Energia 504

60 Brasil Energia, nº 504, 30 de junho de 2026 série AMAZÔNIA & ENERGIA duas vencedoras do certame no produto biodiesel, ao lado de Xavantes. A térmica pernambucana, com 136 MW de capacidade instalada, opera desde 2002 com motores da Wärtsilä e deverá se tornar a primeira planta da empresa no Brasil a operar integralmente com B100. Viabilidade O ponto crítico para a conversão do parque térmico amazônico, porém, é de viabilidade econômica e operacional nos sistemas isolados. Vale a experiência prática da Aggreko, operadora de 26 usinas com geradores a diesel na região. Na avaliação do diretor de Utilities, Cristiano Lopes Saito, a criticidade do uso do B100 está na combinação entre logística, armazenamento, custo do combustível, segurança de suprimento e regras de contratação. Segundo Saito, a infraestrutura atual, contratada em leilões, foi concebida para diesel fóssil misturado ao biodiesel obrigatório (B15), não para B100. Como muitas localidades precisam manter estoques por meses, em razão de restrições de acesso em períodos de seca, o biodiesel puro tende a impor risco maior de oxidação, formação de borras, sedimentação e contaminação por umidade. Esse processo afeta filtros, bicos injetores, tubulações e tanques, exigindo limpeza e manutenção mais frequentes e podendo comprometer a disponibilidade das usinas. Para o engenheiro de aplicação da Aggreko, João Zank, mesmo o B15 já traz desafios operacionais em algumas plantas, pela parcela renovável da mistura. Isso porque, quanto maior a participação de biodiesel, maior o potencial de degradação e sedimentação, o que exige sistemas reforçados de filtragem, recirculação, mistura e controle de qualidade. Ainda segundo ele, uma migração para o B100 obrigaria a repensar a cadeia de armazenamento em padrão mais próximo ao de produtos sensíveis à umidade e à contaminação. Além disso, o biodiesel tem poder calorífico ligeiramente inferior ao diesel fóssil, o que implica maior consumo volumétrico para a mesma geração de energia. Esse panorama afeta capex e opex das plantas. Se o B100 aumenta custos de combustível, consumo volumétrico, manutenção e investimentos em adaptação da infraestrutura, seria necessário ADRIANO MARCOLINO, gerente de desenvolvimento de negócios da Wärtsilä CRISTIANO LOPES SAITO, diretor de Utilities da Aggreko ANDRÉ LAVOR, CEO da Binatural JOÃO ZANK, engenheiro de aplicação da Aggreko Quem é fonte nesta matéria

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=