Brasil Energia, nº 504, 30 de junho de 2026 7 A agência reguladora ANP não oferece mais áreas na Margem Equatorial brasileira, em leilões, por resistência do Ministério do Meio Ambiente, segundo o diretor da agência, Pietro Mendes. Em entrevista à Brasil Energia, ele revelou que há 1,4 mil blocos represados, aguardando parecer ambiental e manifestação conjunta do ministério. “Se a gente conseguisse colocar mais blocos tanto na Bacia de Pelotas, quanto na Margem Equatorial, os resultados seriam bem melhores”, disse Mendes. A dificuldade em leiloar novas fronteiras, por questões ambientais, explica em parte a baixa atividade exploratória no país. Neste ano, segundo a ANP, não foi iniciada a perfuração de sequer um poço exploratório no Brasil. Também presente à entrevista, o superintendente de Exploração da ANP, Luciano Lobo, ainda aponta atraso nas empresas, que postergam o investimento. A ANP abriu uma ação regulatória para tratar do tema, que poderá ser revertida numa resolução, no futuro. Veja a seguir os principais trechos da entrevista: Como você avalia esse cenário de baixa atividade exploratória do país? Mendes - A ANP evoluiu, ao longo do tempo, com a oferta permanente. Temos um leilão marcado para outubro, em que estamos colocando 495 blocos na concessão e cinco áreas com acumulação marginal. São 500 oportunidades de investimento. E há também a oferta permanente de partilha, com 23 blocos disponíveis. A quinta oferta permanente de concessão foi um sucesso, com os blocos da Margem Equatorial, na Foz do Amazonas. Mas, para colocar novos blocos no cardápio da oferta permanente, a gente depende da assinatura da manifestação conjunta, ou da conclusão da AAS (Avaliação Ambiental de Área Sedimentar). Não temos um histórico de conclusão. A manifestação conjunta é assinada pelos ministérios do Meio Ambiente e Minas e Energia e, a partir dessa assinatura, é que conseguimos incluir novos blocos. Quando a gente olha as áreas de novas fronteiras, notadamente a Margem Equatorial e Bacia de Pelotas, não estamos conseguindo colocar novos blocos, por conta do impasse. Não tem assinatura de manifestação conjunta entre Ministério de Minas e Energia e Meio Ambiente. Então, o primeiro apontamento para a redução da atividade exploratória é a própria dificuldade de incluir blocos nessas áreas de novas fronteiras, que são atrativas. Então, se houvesse mais áreas na Margem Equatorial, os leilões teriam melhor resultado? Mendes - Com certeza. Esse foi o resultado que a gente teve na quinta oferta permanente. Naquele momento, foram arrematados blocos que
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