8 Brasil Energia, nº 504, 30 de junho de 2026 entrevista Pietro Mendes e Luciano Lobo estavam no limite de vencimento da manifestação conjunta. Então, o primeiro obstáculo que vejo é a falta de áreas tão atrativas de novas fronteiras. Embora tenha tido anúncios recentes de descobertas pela bp e Petrobras, a realidade é que a gente precisava colocar blocos na Margem Equatorial e Bacia de Pelotas para ter um atrativo maior. Essa dificuldade vai se refletir no resultado do próximo leilão? Mendes - A gente tem a expectativa que ao leilão compareçam empresas interessadas e sejam arrematados blocos, porque houve manifestação de interesse (em áreas). O que eu chamei atenção é que a quinta oferta permanente foi um sucesso, porque tinha áreas muito atrativas, principalmente na Bacia da Foz do Amazonas. Acredito que, se a gente conseguisse colocar mais blocos, tanto na Bacia de Pelotas, quanto na Margem Equatorial, os resultados seriam bem melhores. A gente tem 1,4 mil blocos represados, aguardando parecer ambiental e manifestação conjunta. São mais 1,4 mil blocos que poderiam estar sendo oferecidos. Além, também, do bloqueio ao gás não convencional. A Bacia do São Francisco tem potencial. A Agência Internacional de Energia aponta que o Brasil pode ter a décima maior reserva de gás natural não convencional do mundo. Mas a gente não consegue avançar com essa discussão que está no STJ agora. Essa também seria uma oportunidade bastante interessante. Existe alguma conversa hoje da ANP com as instâncias ambientais para destravar o processo? Mendes - Sim. A ANP tem dentro da superintendência de Tecnologia e Meio Ambiente uma área que mantém uma interlocução constante tanto com os órgãos ambientais estaduais quanto com o próprio Ibama. Quando é feita a emissão de pareceres técnicos, no âmbito do GTPEG, que é um grupo que congrega várias instituições da parte de meio ambiente, ainda assim, depende de um crivo acima do ente político, que é o Ministério do Meio Ambiente. Hoje, não há uma sinergia entre o Ministério de Minas e Energia, que entende que a gente precisa continuar a atividade exploratória e fazer a reposição de reservas, e o Ministério do Meio Ambiente, com o Mapa do Caminho, que prevê a limitação da oferta de petróleo. Nesse caso, para que colocar novos blocos? Para que avançar em áreas de novas fronteiras se a compreensão é que é preciso limitar a oferta de petróleo? Em contraponto, há uma outra visão, que ataca a demanda por combustíveis fósseis. Até porque a atividade de exploração e produção responde por menos de 1% das emissões totais. O grande problema no setor de óleo e gás se dá no consumo. Para isso, há uma série de políticas públicas em curso, que a ANP implementa, como a Lei do Combustível do Futuro. Está sendo feita a substituição de combustíveis fósseis por biocombustíveis.
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