e-revista Brasil Energia 504

Brasil Energia, nº 504, 30 de junho de 2026 75 A presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Elbia Gannoum, traçou um panorama desafiador e repleto de oportunidades para o setor elétrico nacional em entrevista ao programa As Lideranças Empresariais. A executiva apontou que o país não vive um problema estrutural de excesso de energia, mas sim gargalos de gestão de oferta em horários específicos, o que tem agravado o curtailment (cortes de geração) para as fontes renováveis. Para resolver o compasso de espera nos investimentos, a representante da ABEEólica defendeu a adoção imediata de sinais de preços horários, a inclusão de baterias nos leilões do sistema e o fim generalizado de subsídios que encarecem a tarifa na ponta. Além disso, destacou o papel estratégico da matriz interligada do Brasil para abrigar o avanço global dos data centers e da economia verde, frisando que a falta de agilidade regulatória faz o Brasil correr o risco de “perder para si mesmo”. Elbia também ressaltou a necessidade de acelerar iniciativas como o Redata, voltado à atração de data centers, e a regulamentação de marcos legais relacionados ao hidrogênio verde e à descarbonização da economia. Para a dirigente, o Brasil reúne condições únicas para liderar a transição energética global graças à combinação de abundância de recursos renováveis e à robustez do Sistema Interligado Nacional (SIN). Ao longo da conversa, a presidente da Abeeólica abordou ainda a regulamentação dos cortes de geração, o papel das baterias, a limpeza de projetos inviáveis da rede, as perspectivas para a eólica offshore, o fortalecimento da cadeia produtiva nacional e os desafios da COP30. Em sua avaliação, o país possui uma vantagem competitiva rara, mas precisa transformar esse potencial em investimentos concretos por meio de planejamento, segurança regulatória e estímulos à demanda. Abeeólica defende fim de subsídios e alerta sobre curtailment Presidente Elbia Gannoum adverte que o Brasil “rasga seu bilhete de loteria” ao atrasar regulamentações e focar em térmicas inflexíveis, destacando as baterias e os data centers como vetores cruciais da transição | POR MARCELO FURTADO |

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