e-revista Brasil Energia 504

76 Brasil Energia, nº 504, 30 de junho de 2026 As Lideranças Empresariais Elbia Gannoum, Abeeólica Veja os principais pontos da entrevista: Curtailment exige soluções estruturais: A dirigente classificou o curtailment como o principal ponto de tensão das renováveis no Brasil. Segundo ela, cortes que já atingem até 45% de alguns parques deveriam estar em níveis próximos de 3% a 5%. Além do ressarcimento financeiro previsto em lei para os prejuízos dos geradores, a solução estrutural passa pela ampliação da demanda, contratação de baterias, revisão de subsídios e aperfeiçoamento dos sinais de preço. Mecanismo de preços precisa ser reformulado: Para Elbia, o atual modelo brasileiro não transmite adequadamente sinais de escassez e abundância ao consumidor. A adoção de tarifas horárias mais aderentes às condições do sistema poderia estimular o deslocamento do consumo para períodos de maior oferta renovável, reduzindo desperdícios e a necessidade de despacho de térmicas nos horários de ponta. CP 45 preocupa geradores renováveis: A executiva criticou a proposta de classificação dos cortes de geração em discussão na Aneel. Segundo ela, a metodologia pode ampliar os impactos econômicos sobre os geradores ao enquadrar inadequadamente eventos de confiabilidade como cortes energéticos. A associação também contesta a equiparação entre eólicas e hidrelétricas em determinados critérios regulatórios. Baterias devem ser contratadas como solução sistêmica: A Abeeólica defende que os futuros leilões de armazenamento tratem as baterias como soluções energéticas completas e não apenas como fontes de energia. Além de reduzir o curtailment, os sistemas de armazenamento podem fornecer serviços ancilares, estabilidade elétrica e suporte ao atendimento da demanda nos horários de pico. Limpeza da fila libera espaço para projetos viáveis: A aprovação do chamado segundo “dia do perdão” pela Aneel foi considerada positiva pela entidade. A medida deve permitir a retirada de projetos sem viabilidade econômica ou comercial que ocupam capacidade de escoamento na rede, liberando espaço para empreendimentos já contratados e efetivamente aptos a avançar. Data centers e hidrogênio podem criar nova demanda: Para a presidente da Abeeólica, o maior desafio do país hoje não é a falta de oferta de energia, mas a ausência de crescimento mais acelerado da demanda. Nesse contexto, data centers, hidrogênio verde, eletrificação da economia e descarbonização industrial são apontados como os principais vetores capazes de absorver a expansão das renováveis ao longo da próxima década. E rebate a ideia de que a variabilidade eólica e solar inviabilize o suprimento 24x7 exigido por data centers, já que 97% do consumo está no SIN e investidores que se conectam à rede têm acesso a uma energia 93% limpa de forma ininterrupta. Assista a entrevista na íntegra aqui:

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