e-revista Brasil Energia 504

78 Brasil Energia, nº 504, 30 de junho de 2026 Paula Kovarsky, engenheira mecânica e de produção, com MBA em finanças corporativas. Escreve na Brasil Energia a cada três meses. Paula Kovarsky Engenheira que sou, já usei muitas vezes a fórmula potência = trabalho realizado. Mas nunca tinha parado para pensar no quanto ela resume bem a situação do nosso Brasil até ouvir a ministra Izabella Teixeira usar essa fórmula no podcast Clima na Faria Lima. Não é a primeira vez que uso uma fala dela, sempre pedindo a devida permissão. Na física, a definição correta mede, na verdade, quão rápido um trabalho foi realizado. Outra forma de pensar: se duas pessoas executam o mesmo trabalho, quem faz mais rápido desenvolve maior potência. E essa definição serve igualmente bem para o tema de hoje. Brasil potência florestal. Brasil potência em produção de alimentos. Brasil potência em energia limpa. Brasil potência em minerais críticos. Definindo potência como trabalho realizado de forma eficiente — aquele que transforma recursos em riqueza e benefícios concretos — diria que, de todas as “potências”, apenas a produção de alimentos merece hoje, de fato, essa qualificação. A agricultura brasileira cresceu vertiginosamente nas últimas décadas. No início dos anos 1980, o Brasil produzia cerca de 47 milhões de toneladas de grãos em aproximadamente 37 milhões de hectares. Na última safra, produzimos quase 350 milhões de toneladas em menos de 82 milhões de hectares. A produção cresceu quase sete vezes, enquanto a área plantada não chegou a aumentar 2,5 vezes. No país da baixa produtividade do trabalho, o aumento de produtividade no campo responde por quase dois terços desse crescimento, o que significa relativamente pouca expansão de área plantada e, portanto, menor impacto em desmatamento. Mais ainda: nas principais regiões produtoras, o agricultor brasileiro é obrigado a preservar 20% da propriedade. A agropecuária responde por cerca de 25% do PIB brasileiro — considerando toda a cadeia, incluindo insumos, agroindústria e logística — e por aproximadamente metade das exportações do país, algo próximo de USD 170 bilhões por ano. Além de alimentar um país de mais de 200 milhões de habitantes, o Brasil se tornou responsável por cerca de 10% da produção global de alimentos. Falemos de florestas. São 486 milhões de hectares de floresta nativa no Brasil, ocupando quase 60% do território nacional. Estamos falando do equivalente a 680 milhões de campos de futebol — para seguir no tema do momento — ou mais de duas vezes a área da Europa sem a Rússia, continente que tantas vezes usa o discurso ambiental como protecionismo disfarçado. As florestas brasileiras absorvem entre 1,5 e 2 bilhões de toneladas de carbono por ano. A USD 10 por tonelada de CO2, por exemBrasil potência florestal. Brasil potência em produção de alimentos. Brasil potência em energia limpa. Brasil potência em minerais críticos. De todas as “potências”, apenas a produção de alimentos merece hoje, de fato, essa qualificação Como na Copa, o Brasil precisa sair do aquecimento

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