e-revista Brasil Energia 505

12 Brasil Energia, nº 505, 31 de julho de 2026 Wagner Victer é engenheiro, administrador, ex-secretário de Estado de Energia, Indústria Naval e do Petróleo, e ex conselheiro do CNPE. Escreve mensalmente na Brasil Energia. Wagner Victer Com as recentes mudanças no cenário global, a UE estabeleceu como meta estratégica eliminar a dependência dos combustíveis fósseis russos até 2027 e a discussão sobre a exploração no Ártico, na Guiana Francesa e na Costa Africana só aumentam A Europa volta a olhar para o Petróleo e reabre o debate A recente declaração de Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia (IEA), sugerindo que a União Europeia (EU) deveria reconsiderar sua oposição à exploração de petróleo e gás em suas fronteiras, inclusive no Ártico, marca uma mudança de tom significativa no debate energético global. Durante um evento em Bruxelas, Birol não mediu palavras ao defender a importância de cada gota de combustível, em especial o norueguês, classificando o país como um parceiro indispensável, ou seja, um fornecedor estável que não utilizaria a energia como uma eventual moeda de chantagem geopolítica. Esta manifestação surge no momento em que a UE reavalia sua postura rígida contra novas perfurações em regiões como o Mar do Norte e no próprio Ártico. O que antes era uma questão fechada por imperativos ambientais, agora enfrenta o choque de realidade de um continente que precisa, acima de tudo, garantir que “suas luzes continuem acesas”. Nesse sentido, movimentos já começam a surgir com a possibilidade da autorização legal, pela França, para exploração de petróleo na Guiana Francesa e o aumento da atenção de empresas petrolíferas europeias em atividades exploratórias na Costa Africana. A estratégia europeia sobre restrições à região do Ártico foi desenhada em tempos mais tranquilos. Em 2021, quando a moratória foi defendida, o foco absoluto eram as metas climáticas e a descarbonização. Contudo, o cenário global mudou drasticamente de lá para cá o e o tabuleiro geopolítico sofreu fortes transformações, em especial com as fortes posições do Governo dos EUA. A invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 implodiu a confiança no mercado energético europeu e as tensões crescentes no Oriente Médio apenas elevaram a volatilidade e os custos. Frente a esse cenário, a Europa estabeleceu como meta estratégica eliminar a dependência dos combustíveis fósseis russos até 2027. Nesse jogo de xadrez, a Noruega, em especial, deixou de ser apenas um vizinho estratégico para se tornar o pilar central da segurança energética do continente, já que os movimentos pelo lado do Reino Unido, no mesmo Mar do Norte, não apontam a mesma dinâmica para a retomada, enquanto sua indústria do petróleo agoniza, depois de décadas sendo construída. Aliás essa decadência pude constatar em minha última visita a Aberdeen, em 2025, por ocasião do evento Europe Offshore. Embora não integre a União Europeia, a Noruega é hoje o maior fornecedor de gás natural do continente. Mas há um entrave técnico e econômico: muitos dos campos produtores noruegueses já atingiram o ápice e caminham para o declínio natural. Sem novos investimentos e novas fronteiras exploratórias, a produção do país corre o risco de cair significativamente na próxima década,

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