e-revista Brasil Energia 505

Brasil Energia, nº 505, 31 de julho de 2026 13 a própria alimentação do seu Fundo Soberano e os negócios. A própria indústria petrolífera norueguesa, com a Equinor sucessora da Statoil a frente, alerta que é preciso ir além das áreas maduras para sustentar a atividade. E o ministro das Finanças norueguês ecoou esse sentimento em Bruxelas, ao argumentar que, embora a consciência ambiental seja um dever, a proibição cega à exploração na Região do Ártico ignora as limitações físicas da oferta e a realidade estratégica do Continente Europeu. A fala de Faith Birol pela IEA não é, portanto isolada e reflete o pensamento atual da agência. Se antes a Transição Energética dominava todas as pautas, agora a Segurança de Suprimento divide o protagonismo. Em um mundo marcado por rupturas logísticas e conflitos, “ter energia disponível” voltou a ser um requisito básico de soberania e, portanto, estratégico. Além disso, há um dado frequentemente ignorado pelo público geral: o declínio natural dos campos existentes. A IEA aponta que uma fatia gigantesca do investimento global hoje serve apenas para “correr no mesmo lugar”, isto é, compensar a queda natural da produção dos campos que já operam. Assim, defender a retomada de exploração no Mar do Norte e em novas fronteiras no Ártico não é necessariamente uma declaração de guerra contra a Transição, mas um esforço pragmático para garantir uma ponte segura enquanto a economia de baixo carbono amadurece. Evidentemente a proposta não tem consenso na Europa. Organizações ambientais e grupos focados no clima veem a reabertura desse movimento como um retrocesso perigoso. O argumento principal é que projetos nessas regiões, em especial de novas fronteiras como o Ártico, são complexos e demorados, podendo levar uma década para produzir os primeiros barris. Portanto, ineficazes para resolver as crises de curto prazo. Além disso, o risco ambiental para um ecossistema tão sensível é visto por alguns como inaceitável. Independentemente do desfecho dessa recente discussão em Bruxelas, uma coisa é clara: o pensamento energético internacional mudou significativamente. A pergunta deixou de ser apenas “como acelerar a transição”? para incluir um desafio muito mais espinhoso: “como garantir estabilidade enquanto a transição acontece”? Para países produtores, inclusive o Brasil, o mercado está mudando o critério de valorização. Não basta ter recursos; é preciso oferecer confiabilidade institucional e estabilidade política. A fala de Fatih Birol é, em última análise, um convite ao realismo. Ela nos lembra que, nas próximas décadas, o maior sucesso dos governos não será apenas descarbonizar a matriz, mas equilibrar essa jornada com a necessidade vital de manter o mundo em movimento e em especial, acelerar a exploração de novas fronteiras como as Bacias da Margem Equatorial e a Bacia de Pelotas. A exploração em novas regiões, para garantir uma fonte de suprimento seguro e estável para o Brasil, é também percebida dessa forma por outros países não só da Europa, mas para a própria China. Investidores mantem nossa indústria de bens e serviços ativa, gerando renda, tecnologia e empregos no Brasil e ainda contribuindo para o clima. Afinal, a produção de petróleo no país tem carbono associado menor que em muitos países produtores. Infraestrutura OG Noruega - Europa Fonte: EIA (2024)

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