e-revista Brasil Energia 505

Brasil Energia, nº 505, 31 de julho de 2026 3 Por que os recursos do etanol são tão pouco explorados no Brasil? Recentemente, o Governo ampliou o espaço para a indústria brasileira de etanol, colocando em vigor a Resolução 9/2026 do CNPE e estabelecendo a mistura de 32% do etanol à gasolina C (E32). Na gasolina Premium, o percentual se manteve em 25%. A medida foi adotada para blindar o país da volatilidade circunstancial dos preços globais de combustíveis, dos quais o Brasil ainda é dependente, embora seja exportador de 2 milhões de barris de petróleo cru todos os dias. Durante 180 dias, será evitada a importação de 450 milhões de litros de gasolina através da substituição pelo mesmo volume de etanol. Como o preço médio da gasolina importada nos portos brasileiros está a R$ 3,6 / litro (Fonte: ANP/ S&P) e o preço médio do etanol na usina em São Paulo está a R$ 2,1 / litro (Cepea), a diferença resulta numa boa economia para o consumidor. Porém é pouco, muito pouco comparado ao potencial que o etanol pode proporcionar ao país. A Resolução do CNPE é apenas uma medida emergencial – alguns diriam, eleitoreira - já que permite, coincidentemente, uma única prorrogação de outros 180 dias de E32. Depois, tudo volta ao normal. No entanto, por menor que seja, a medida é uma grande prova do valor do etanol para a independência energética brasileira. O que se questiona é o porquê de o biocombustível ter presença tão tímida no planejamento energético nacional, se o país é tão competitivo no agro, se desenvolveu tanta tecnologia acadêmica e industrial e se o etanol chega a mais de 40 mil postos (pontos de venda) no país a preços populares e acessíveis ao padrão do consumidor brasileiro. Não faltam projetos bem-sucedidos nas empresas, nos centros de pesquisa e universidades para múltiplos uso do etanol. Mas estes permanecem nas pranchetas há décadas. Por que? A começar do motor a combustão 100% etanol. Sabe-se que algumas montadoras já têm pronto este motor capaz de fazer 20km com 1 litro de etanol. Porém seu lançamento comercial fica no almoxarifado, talvez porque receiem um olá, leitor

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