4 Brasil Energia, nº 505, 31 de julho de 2026 fracasso comercial por conta do estigma da tecnologia deixada pelos primeiros carros do Proálcool, 50 anos atrás. De lá pra cá, entretanto, o motor a etanol puro evoluiu e alcançou o mesmo nível tecnológico que os motores a gasolina ou flex. E há especialistas até que afirmam ser o motor flex uma camisa de força para o etanol, calibrado para render como a gasolina, de menor octanagem. Falta, então, uma campanha de esclarecimento público? E essa campanha quem banca, Governo, produtores, montadoras? O etanol também pode ser a alternativa brasileira para o carro elétrico sustentável, movido a hidrogênio, extraído da fórmula do combustível (C2H5OH). A vantagem sobre os veículos elétricos importados é seu custo de opex e a logística de abastecimento. Veículos em teste há 10 anos alcançaram um percurso de 600km com 20 litros de etanol, convertido em H2, que por sua vez movimenta um carro elétrico por célula a combustível. A tecnologia do H2 veicular patina em outros países por conta do transporte do combustível. Mas aqui um simples reformador extrai H2 do etanol encontrável em qualquer posto de gasolina. No interior da Amazônia, o plantio da mandioca é amplamente disseminado como alimento. Quarenta anos atrás, a Petrobras chegou a produzir 10 mil litros/dia de etanol de mandioca em Curvelo (MG). Em 2013, um projeto no Amazonas, com a participação da Embrapa para o desenvolvimento de clones mais produtivos, demonstrou ser possível substituir o diesel pelo etanol na geração térmica de sistemas isolados, sem prejudicar a produção de alimentos e até gerando uma nova cadeia produtiva local. Por que titubeamos no desenvolvimento de um programa específico para essa tecnologia como um recurso tão sustentável na universalização da energia na Amazônia? O Rio Grande do Sul é altamente dependente do etanol importado de outros estados. Porém um programa do governo estadual já conta com duas usinas que irão aproveitar o trigo da entressafra, não comercializável, para suprir esse gap. Outras fontes produtoras de etanol também já foram testadas, como o sisal na Bahia, e algumas estão em uso, como o sorgo em Alagoas. Mas falta a mão federal. Será mesmo que o Brasil está condenado a acreditar apenas em tecnologias importadas ou projetos com transferência de tecnologia? O país é o 7º produtor de automóveis no mundo (OICA, 2026), mas nunca conseguiu ter uma marca global. A título de exemplo, a Tata Motors indiana tem produção maior do que qualquer montadora brasileira e ainda é a dona da prestigiada marca Jaguar Land Rover. O fato é que nossa tecnologia do etanol não prospera, como figuram como classe mundial a tecnologia brasileira aeronáutica, do próprio agro ou da exploração de petróleo em águas profundas. No etanol, continuamos 50 anos depois do Proalcool, meros produtores da matéria prima. A tecnologia do etanol não tem lobby que a defenda e que a promova, como tantos outros segmentos energéticos através de suas associações. O etanol é representado apenas por várias Uniões de Produtores, cujo interesse maior reside em comercializar safras, vendendo litros do combustível. Estamos atrasados para abraçar essa causa.
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