e-revista Brasil Energia 505

52 Brasil Energia, nº 505, 31 de julho de 2026 As Lideranças Empresariais Xisto Vieira, Abraget retorno de R$ 970 bilhões, em 15 anos, como benefício de evitar apagões e racionamentos, considerando o impacto de blackouts sobre o PIB. Data centers e clima devem elevar ainda mais a demanda: Vieira reconhece que o cálculo atual não considera o crescimento de data centers nem o aumento de eventos climáticos extremos, o que exigiria montantes ainda maiores em leilões futuros. Bateria não substitui térmica na segurança do sistema: Baterias não atendem ao critério do CNPE de disponibilidade 24 horas por dia e têm tolerância muito menor a correntes de curto-circuito que máquinas térmicas. Para ele, sistemas de armazenamento e usinas termelétricas cumprem funções distintas e não devem ser tratados como soluções equivalentes nos leilões de capacidade. Preço-teto ficou defasado: Os tetos de preço da primeira rodada do LRCAP não consideraram a fila global por turbinas síncronas de fabricantes como Siemens, GE e Wärtsilä, entre outros, hoje de cerca de quatro anos, resultado da corrida mundial por segurança energética. Conta de luz: LRCAP custaria menos que subsídio às renováveis. Pelo estudo da Thymos, o custo do LRCAP representaria acréscimo de R$ 4 na conta de luz; os subsídios de transmissão (TUST/TUSD) hoje pagos a renováveis custariam R$ 6, sem retorno equivalente em segurança. Preço em terceiro lugar para consumidor: Pesquisa da Abradee, que coincide com dados da Aneel, mostra que a prioridade do consumidor é, em ordem: não faltar energia, recomposição rápida em caso de falta e, só em terceiro lugar, o preço. Gargalo de infraestrutura de gás: Para Vieira, a expansão de gasodutos depende de demanda contratual assegurada — caso contrário, o investidor não assume o risco. Ele cita como exemplo Brasília, capital federal, que ainda não tem gás canalizado. Para ele, a contratação de térmicas a gás em determinadas regiões, incluindo o caso polêmico de usinas ligadas à privatização da Eletrobras, funciona como mecanismo para viabilizar a expansão de gasodutos ao criar demanda garantida. Do “trilema” ao “quadrilema” energético: Ao equilíbrio entre clima, segurança e preço, Vieira soma a necessidade de reduzir a dependência energética externa, citando o histórico de restrição de gás russo à Europa como alerta contra o excesso de intercâmbio internacional de energia. Curtailment como falha de planejamento, não só de transmissão: Para o dirigente, a solução seria adotar no Brasil uma “teoria da fila” semelhante à europeia, na qual novos projetos renováveis só recebem acesso à transmissão quando a rede se torna economicamente viável. Assista a entrevista na íntegra aqui:

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