e-revista Brasil Energia 505

Brasil Energia, nº 505, 31 de julho de 2026 79 gião metropolitana de Manaus. O gás natural de Urucu, transportado pela TAG, corta o terreno escolhido para o projeto. A estação de regaseificação e demais utilidades está na fase de licenciamento ambiental e, segundo Marcelo Araujo, a lista de fabricantes de equipamentos para o projeto já foi reduzida a dois. No momento em que essa reportagem era feita, a concorrência estava para ser definida até o fim de julho, assim como o EPCista responsável. Logística, Descarbonização, Desvio de Cargas Marcelo Araújo enxerga que o GNL pode ser uma alternativa à cara e arriscada logística do diesel para os sistemas isolados. “Aqui não falamos de pegar um caminhão e abastecer um local entre Rio e São Paulo por uma estrada de 400 km, toda infraestruturada. Estamos falando de rios, com calados que quase secam em certas épocas do ano, com sinuosidades absurdas, situação inexistente em qualquer outro lugar. E comunidades e cidades que realmente vivem às margens e pelo interior da floresta”, disse em entrevista à Brasil Energia. De fato, eventos climáticos extremos, como a seca nos rios tão essenciais para o transporte na região, se tornam cada vez mais frequentes, aumentando a complexidade da logística do combustível. Para além disso, Marcelo aponta que parte significativa do transporte do diesel é desviada por roubos na região – 1,2 milhão de litros foram desviados por quadrilhas em 2025, segundo o ICL –, problema difícil e caro de ser resolvido por escolta de segurança, mas que pode ser contornado porque o GNL demanda tecnologia e regaseificação para ser usado. Assim, problemas logísticos combinados com os compromissos pela descarbonização estão abrindo espaço para a substituição do diesel nos sistemas isolados na Região Amazônica. O último leilão para suprimento aos sistemas isolados, em setembro do ano passado, exigiu pela primeira vez um percentual mínimo de 22% de energia de fontes renováveis, exceção feita ao gás natural. Mercados possíveis Além do varejo, a Amazônica vê potenciais clientes nas termelétricas de sistemas isolados, com a perspectiva de leilões futuros, no mercado de logística fluvial e em outras atividades como secagem de grãos e mineração, que hoje dependem de diesel. Calcular um capex para um projeto desta magnitude não foi tarefa fácil, explica Marcelo. A Amazônica levantou um valor em relação ao contrato vigente com a Petrobras e, a partir disso, trabalhou com um capex já visando o quíntuplo do volume acordado. Segundo o executivo, este montante garante uma escalabilidade melhor e torna o projeto mais competitivo. No total, o capex do projeto chegou a US$ 130 milhões, já incluindo investimentos em tancagem, estoque e logística. “A gente modularizou o nosso projeto prevendo um crescimento de mercado e considerando essas diferenças de preço entre o diesel e o preço de compra da nossa molécula. E, com isso, a gente conseguiu acomodar todos os investimentos no capex para as diversas fases do projeto.” Em relação aos riscos de operação - especialmente os logísticos, também enfrentados pelo mercado de diesel -, a Amazônica Energy quer se limitar a cerca de seis

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