Brasil Energia, nº 505, 31 de julho de 2026 9 As hidrelétricas de pequeno porte, que após o apagão de 2001 entraram de vez no radar do SIN como alternativas limpas, baratas e energeticamente seguras aos cada vez maiores obstáculos socioambientais à construção de grandes usinas hídricas, além de enfrentarem essas mesmas dificuldades deparam-se agora com outra mais imediata, a falta de financiamento competitivo, agravada pelo aumento dos custos de construção, que reflete os efeitos da falta de continuidade de leilões sobre a cadeia produtiva do segmento. Em entrevista ao programa As Lideranças Empresariais, da Brasil Energia, o novo presidente da AbraPCH, Lucas Pimentel, reclama da falta de uma linha de crédito específica do BNDES para as PCHs e CGHs, à semelhança da existente para eólicas e solares. Segundo Pimentel, o encarecimento do capex e essa falta de crédito oficial explica hoje o porquê de aproximadamente 1 GW em pequenas hidrelétricas, de um total de 1,3 GW outorgados, aparecerem nas estatísticas da Aneel como “construção não iniciada”. Veja os principais destaques da entrevista: Capex e juros: O custo de uma PCH por megawatt construído, de acordo com o dirigente, está em torno de R$ 12 milhões. Isto representa um aumento de 62,5% sobre o custo médio de R$ 7,5 milhões que a EPE projetava no começo desta década e o triplo dos R$ 4 milhões que o mercado calculava no final da primeira década deste século. Com a taxa básica de juros (Selic) em 14,25%, Pimentel disse que “tem muita gente aguardando para ver o que acontece nas eleições, para ver se os juros ainda baixam esse ano, ou início do ano que vem, para, aí sim, contratar o seu financiamento”. Ele lembra que a grande maioria desse portfólio outorgado, mas sem obras, faz parte dos 815 MW contratados no leilão de energia nova exclusivo para hídricas de até 50 MW realizado em agosto do ano passado. AbraPCH quer linha de crédito do BNDES para agilizar novas usinas Presidente da entidade, Lucas Pimentel, lamenta a falta de isonomia no tratamento concedido a outras fontes renováveis e disse que obras paradas esperam financiamentos acessíveis | POR CHICO SANTOS |
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