Brasil Energia, nº 506, 02 de setembro de 2026 13 A EPE começou a se antecipar a esse desafio em 2021, quando desenvolveu uma metodologia para antecipação de obras a partir da prospecção da expansão da geração. Quatro estudos de escoamento de renováveis publicados em 2021 e 2022 recomendaram aproximadamente R$ 60 bilhões em investimentos. “O planejamento tem antecipado essas necessidades”, afirma Prado. Mesmo com o volume de contratações, novos reforços continuam necessários. Para o período de 2026 a 2030, o PAR/PEL 2025 – plano de operação elétrica do Operador Nacional do Sistema (ONS) – recomenda cerca de 5,3 mil km de linhas e 24,3 mil MVA adicionais de transformação, com investimentos estimados em R$ 28,1 bilhões. Mais capacidade para escoar renováveis Mais do que acrescentar quilômetros à rede, esses investimentos respondem às mudanças nos fluxos de energia provocadas pela expansão das renováveis. A necessidade de reforços é especialmente evidente no Nordeste, região que, segundo Prado, apresenta perfil predominantemente exportador desde 2021 e concentra parcela importante da expansão eólica e solar. Mesmo considerando as expansões recomendadas até 2030, o ONS identifica margem de escoamento escassa ou nula em diversos pontos da rede da região, segundo nota técnica do Ministério de Minas e Energia (MME) que fundamenta o Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica (POTEE) 2026. O PDE mostra a dimensão do reforço previsto. A média do limite de exportação do Nordeste, de aproximadamente 13,5 GW na configuração existente em setembro de 2025, deverá alcançar 21 GW com as obras previstas até 2030 e 24 GW a partir de 2033. Os limites efetivos variam conforme as condições de carga e geração. A ampliação permitirá acomodar até 60 GW de geração eólica e solar nas regiões Norte e Nordeste em 2033. Uma das principais frentes já contratadas é o novo corredor entre Maranhão e Goiás, incluído no segundo leilão de 2023. O sistema em corrente contínua de ±800 kV entre Graça Aranha (MA) e Silvânia (GO), acompanhado de reforços associados, integra um conjunto de 4.471 km de linhas e R$ 21,7 bilhões em investimentos, ampliando a capacidade de intercâmbio entre Norte/Nordeste e Sudeste/Centro-Oeste. Outro grande conjunto de reforços foi contratado no primeiro leilão de 2024, com 15 lotes, 6.464 km de linhas e R$ 18,2 bilhões em investimentos. Parte relevante das instalações está no Nordeste e nas conexões com Minas Gerais, ampliando a integração de novos projetos e o transporte dos excedentes renováveis. Quem é fonte nesta matéria THIAGO PRADO, presidente da EPE
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