14 Brasil Energia, nº 506, 02 de setembro de 2026 Especial de Capa Transmissão Em Minas Gerais e no sul da Bahia, o ONS estima que empreendimentos dos leilões 001/2022, 001/2023, 002/2023 e 001/2024 mobilizaram cerca de R$ 32 bilhões em transmissão para preparar a rede para aproximadamente 11 GW de expansão da geração. Mesmo assim, permanecem restrições de escoamento diante do volume de novos projetos previstos para a região. A mudança da matriz também está alterando a natureza dos reforços necessários. Com a maior presença de eólicas e solares conectadas por conversores eletrônicos, passam a ganhar importância atributos como potência de curto-circuito, controle de tensão e suporte à estabilidade, fornecidos naturalmente pelas máquinas síncronas convencionais. Por isso, os leilões de 2025 e 2026 já contrataram compensadores síncronos para instalações no Rio Grande do Norte e Ceará. Transmissão ajuda, mas não elimina cortes A entrada das novas obras deverá reduzir principalmente o curtailment provocado por restrições de confiabilidade da rede. Prado ressalta, entretanto, que é necessário separar esse problema dos cortes por razões energéticas. Estes ocorrem quando não há carga instantânea suficiente para consumir o excesso de geração e podem acontecer inclusive em períodos em que as linhas estão pouco carregadas. “Nem todo curtailment justificará economicamente uma nova obra de transmissão”, diz. Nos estudos da EPE, à medida que os reforços previstos entram em operação, as restrições elétricas são mitigadas e o curtailment por confiabilidade tende a cair drasticamente, tornando-se parcela pequena dos cortes totais. Em sentido contrário, os cortes por razão energética tendem a crescer com a continuidade da expansão eólica e solar, devido ao excesso de geração disponível em determinados períodos. Isso muda também o conjunto de soluções. Além de avaliar causa, frequência, duração, localização e custo-benefício antes de construir novas linhas, o planejamento passa a considerar armazenamento e flexibilidade da demanda. As baterias podem deslocar energia entre horários e contribuir para reduzir cortes, mas, segundo a EPE, dependem de margem na própria rede para carregar e descarregar e não substituem a expansão estrutural da transmissão. No eixo entre Ceará e Rio Grande do Norte, o ONS prevê restrições à geração renovável até a entrada de obras estruturantes, em dezembro de 2029. Enquanto isso, o PAR/PEL prevê 62 novos Sistemas Especiais de Proteção (SEP), muitos associados ao escoamento da geração. Novo corredor entre Nordeste e Sul Uma das próximas etapas da expansão será o Bipolo Nordeste II, novo corredor estruturante para ampliar as transferências entre o Nordeste e o eixo Sudeste-Sul. A solução de referência estudada pela EPE prevê um sistema HVDC-VSC em ±600 kV e 3 GW, ligando Angicos (RN) a Itaporanga 2, na divisa entre São Paulo e Paraná. Com aproximadamente 2.589 km e uma extensa rede de reforços em cor-
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