e-revista Brasil Energia 506

18 Brasil Energia, nº 506, 02 de setembro de 2026 Especial de Capa Transmissão principalmente renováveis no Nordeste, o sistema passa agora a lidar também com a concentração de grandes blocos de consumo em determinados pontos da rede. Segundo o caderno de transmissão do PDE 2035, os processos de conexão à Rede Básica registrados no MME somavam 54,2 GW até 2038, na base de outubro de 2025. Desse total, 26,3 GW correspondiam a projetos de data centers e 27,9 GW a plantas relacionadas à indústria de hidrogênio e amônia. Desde então, a procura continuou crescendo: em junho de 2026, o MME informou que os pedidos de parecer de acesso associados apenas a data centers já somavam 38 GW. O tamanho da carteira, entretanto, está longe de significar que toda essa demanda chegará efetivamente ao sistema. Para o presidente da EPE, Thiago Prado, uma das novas dificuldades do planejamento é justamente separar projetos com maior possibilidade de concretização de manifestações ainda preliminares. “A primeira cautela é não tratar toda a carteira de projetos como demanda que necessariamente irá se materializar”, afirma. A EPE passou, por isso, a acompanhar o grau de maturidade dos empreendimentos, considerando o estágio da conexão e a assinatura do Contrato de Uso do Sistema de Transmissão - CUST. No cenário superior do PDE 2035, as cargas especiais podem representar perto de 13% do consumo agregado ao final do horizonte. A distribuição dos projetos é bastante desigual. Enquanto as plantas de hidrogênio estão fortemente concentradas no Nordeste, São Paulo se destaca nos pedidos relacionados a data centers. A dimensão da demanda potencial levou a EPE a iniciar estudos prospectivos para avaliar a expansão necessária da transmissão. Nordeste já tem projetos barrados Estudo mais recente da EPE dá uma dimensão mais precisa do problema no Nordeste. O levantamento considera 31,8 GW de cargas que haviam sido protocoladas no MME na região, sendo 23,5 GW associados à indústria de hidrogênio e 8,3 GW a data centers. Ceará e Piauí concentram a maior parcela dessa demanda: juntos, respondem por 22,1 GW e 21 projetos potenciais. Mais relevante para o planejamento é que a restrição de transmissão já aparece nos pedidos efetivos de acesso. Entre os projetos do Ceará com parecer concluído pelo ONS, nove de 11 tiveram acesso negado, enquanto um foi considerado viável e outro apenas viável se condicionado à entrada de obras. Nos projetos recusados no Ceará e no Piauí, as justificativas envolveram restrições de controle dinâmico de tensão e outras limitações sistêmicas. Pecém, no Ceará, e Parnaíba, no Piauí, foram escolhidos para a primeira etapa do planejamento por reunirem demanda mais madura, ausência de capacidade remanescente e concentração de projetos. A EPE estudou uma expansão capaz de permitir a conexão de até 4 GW. A diferença entre os prazos dos empreendimentos e da infraestrutura é um dos principais desafios. Segundo Prado,

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