Brasil Energia, nº 506, 02 de setembro de 2026 19 um data center pode ser implantado em três anos ou menos, enquanto uma obra relevante de transmissão pode levar de cinco a sete anos entre planejamento, outorga e entrada em operação. Esse descompasso torna necessária a antecipação dos estudos de transmissão. Expansão condicionada à demanda Para Pecém e Parnaíba, reforços estruturais serão necessários. Depois de comparar 12 alternativas, a EPE recomendou uma solução de R$ 5,68 bilhões e 1.848 km de linhas de 500 kV, atravessando Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí. Inicialmente seriam investidos cerca de R$ 1,09 bilhão, deixando os R$ 4,59 bilhões restantes condicionados à quantidade e à localização das cargas que se concretizarem. É a estratégia que a EPE denomina de “mínimo arrependimento”. Segundo Prado, a lógica não se restringe ao Ceará e ao Piauí e faz parte da abordagem dos estudos prospectivos para integração de grandes cargas. As expansões são identificadas a partir dos potenciais de consumo, mas sua consolidação para licitação fica condicionada à assinatura do CUST. Há riscos nas duas direções. Construir antecipadamente uma infraestrutura muito superior à demanda que efetivamente se materializar pode gerar ativos ociosos e custos desnecessários. Esperar pela certeza absoluta, por outro lado, pode fazer com que a transmissão não fique pronta a tempo. Segundo Prado, o planejamento procura reduzir os dois riscos, melhorando as informações sobre a maturidade das cargas e identificando expansões robustas em diferentes cenários. As grandes cargas também criam desafios para a estabilidade do sistema. Nas simulações da EPE, rejeições superiores a 2 GW provocaram sobretensões sustentadas em algumas subestações de Pecém e Parnaíba e, em determinados casos, perda de sincronismo de geração térmica. Por isso, os empreendimentos deverão ter seus impactos avaliados individualmente no processo de acesso e poderão exigir maior redundância nas instalações de conexão. Pressão também no Sudeste O fenômeno não se limita ao Nordeste. No PAR/PEL 2025, o ONS classifica como “exponencial” o crescimento das solicitações de acesso de grandes cargas em São Paulo, sobretudo data centers. A pressão aparece tanto em pedidos de consumidores diretamente na Rede Básica quanto indiretamente, por meio do aumento do Montante de Uso do Sistema de Transmissão - MUST solicitado pelas distribuidoras. A EPE já incorporou essa expansão aos estudos para São Paulo e Campinas. Na região central da capital, foram considerados cerca de 500 MW de demanda de data centers. Em Campinas, Bom Jardim e Itatiba, reforços podem liberar margem de conexão de 800 MW a 1 GW. Para reduzir o descompasso entre a velocidade de implantação das cargas e das grandes obras, a EPE também vem avaliando tecnologias para aumento da capacidade da rede (Grid Enhancing Technologies - GET), que permitem
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