Brasil Energia, nº 506, 02 de setembro de 2026 35 e núcleo de fibra de carbono. Termorresistentes, eles podem operar a temperaturas mais elevadas que os condutores convencionais e, assim, transportar mais energia. O cabo é fabricado pela Alubar e o seu núcleo de carbono pela empresa japonesa Tokio Rope International. O resultado da obra é expressivo. Segundo Otero, a substituição dos cabos mais que dobra o potencial de transporte da linha, elevando sua capacidade para até 206 MVA em operação normal e 242 MVA em emergência. Além do ganho elétrico, o recondutoramento aproveita estruturas e corredores existentes, reduzindo os impactos associados à construção de uma nova linha. A ISA já utilizou condutores de alta capacidade em outros projetos, como na LT Araras-Baldim-Porto Ferreira, e na LT Flórida-Dracena, e possui cerca de 280 quilômetros de novos recondutoramentos previstos para redes de 88 kV, 138 kV e 440 kV. Para a companhia, a solução tende a ganhar escala no SIN à medida que o planejamento busque alternativas mais rápidas para reforçar corredores existentes. Rede também se torna digital A digitalização dos ativos é outra tendência na transmissão, diante da necessidade de operar uma rede cada vez mais complexa. Para André Fregolente, consultor sênior da Octave, empresa especializada em software para engenharia e gestão de ativos, os modelos digitais permitem integrar informações sobre a rede e, assim, identificar restrições e planejar reforços com maior agilidade. Na plataforma NetWorks, da empresa, o modelo representa a topologia real do sistema, permite recuperar sua configuração em diferentes momentos e se integra a sistemas de operação e gestão de ativos. Com isso, diferentes alternativas de reforço podem ser avaliadas sobre uma mesma base de informações. A tecnologia pode ser combinada à análise geoespacial do entorno da rede, incorporando informações sobre terreno, elevação, imagens, cadastros e restrições ambientais para apoiar decisões sobre traçados, faixas de servidão e licenciamento. Fregolente ressalva que a digitalização não elimina limitações físicas da transmissão, mas pode encurtar o caminho entre a identificação de uma restrição, o projeto da intervenção e sua execução. “O ganho está em encurtar o ciclo entre reconhecer o problema e ter a obra em operação”, afirma. Segundo resultados divulgados pela Octave a partir de sua base de clientes, o NetWorks permitiu retirar mais de um ano do prazo de projetos de expansão de rede e 55% de redução em minutos de interrupção. Outra frente é a manutenção baseada na condição dos equipamentos. A plataforma Attune reúne dados de sensores, IoT e inspeções de campo e calcula um indicador de saúde dos ativos a partir de sua condição e do histórico de operação. O sistema identifica equipamentos críticos e converte as análises em ações de manutenção, ordens de serviço e programação de equipes. Para Fregolente, a aplicação permite priorizar intervenções em transformadores, máquinas
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