e-revista Brasil Energia 506

Brasil Energia, nº 506, 2 de setembro de 2026 39 Transmissão cobra segurança jurídica para novo ciclo de investimentos Presidente-executiva da Abrate, Talita Porto, defende coordenação entre expansão da rede, novas cargas e geração renovável e aponta indenizações para contratos vincendos e resiliência climática como prioridades do setor | POR ROSELY MAXIMO | O crescimento da geração renovável concentrada no Nordeste do Brasil, distante dos grandes centros de consumo do Sudeste e do Sul, segue como um dos principais desafios da expansão da transmissão, segundo a presidente-executiva da Associação Brasileira das Empresas Transmissoras de Energia Elétrica (Abrate), Talita Porto. Para ela, a matriz elétrica mudou significativamente nos últimos anos, com a entrada de eólica, solar e biomassa em substituição à expansão de novas grandes hidrelétricas, o que torna indispensável a construção de grandes troncos de transmissão para escoar essa energia — um desafio que se soma agora à chegada de cargas eletrointensivas, como data centers e projetos de hidrogênio. Em entrevista ao programa As Lideranças Empresariais, da Brasil Energia, Talita destacou a relevância do PDE 2035, que prevê adicionar 30 mil km de linhas aos 190 mil km do sistema brasileiro, com robusto investimento de quase R$ 120 bilhões. Mas lembrou que, enquanto uma linha pode levar cerca de dez anos entre planejamento e entrada em operação, novos projetos de geração chegam ao sistema em prazo muito menor. Na presidência da Abrate há seis meses, a executiva destacou que, frente a esse cenário desafiador, a entidade definiu prioridades para preservar a confiabilidade do sistema interligado nacional, que hoje ostenta um índice de disponibilidade de 99,05%, uma referência mundial. Entre elas, a previsibilidade regulatória para as concessões em vencimento, especialmente o reconhecimento das indenizações de ativos não amortizados ou depreciados para os contratos até 2019; a adequação do setor aos eventos climáticos extremos; e uma atuação mais proativa da entidade junto ao governo, Congresso, reguladores, ONS e EPE. A associação também defende esforço conjunto para enfrentar o curtailment e dar flexibilidade ao sistema, que inclui

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