e-revista Brasil Energia 506

Para a diretora da Absolar, os sistemas isolados representam hoje uma das maiores oportunidades de expansão da energia solar na Amazônia, em centenas de localidades remotas. Em curso, o Programa Nacional de Universalização do Acesso e Uso da Energia Elétrica na Amazônia Legal, o Mais Luz para a Amazônia, foi estruturado para atender 219.221 unidades consumidoras em áreas remotas. Entre as prioridades estão famílias de baixa renda, comunidades indígenas e quilombolas, moradores de unidades de conservação, assentamentos rurais, escolas, postos de saúde e poços comunitários. Embora o programa admita diferentes fontes renováveis, seu atendimento tem priorizado sistemas fotovoltaicos autônomos associados a baterias. A dimensão potencial desse mercado é relevante. Estudo do Instituto de Energia e Meio Ambiente, o Iema, estima que, caso todas as unidades previstas pelo programa sejam atendidas por sistemas individuais, o Mais Luz para a Amazônia poderia acrescentar, até 2030, 363 MWp, no padrão de 45 kWh mensais por consumidor, ou 1.381 MWp, no padrão de 180 kWh. No cenário de maior disponibilidade, a capacidade seria equivalente a cerca de 15% de toda a geração distribuída solar hoje instalada na Amazônia Legal. Efeitos socioeconômicos e atenção aos resíduos O padrão de fornecimento também determina os efeitos econômicos e sociais da eletrificação. Sistemas de 45 kWh mensais atendem iluminação, celular, geladeira, televisão pequena e notebook. Já a disponibilidade de 180 kWh, próxima ao consumo médio mensal de uma residência da Região Norte, permite incorporar ventiladores, internet, freezer, bomba de água e máquinas de costura, ampliando as possibilidades de conservação de alimentos e geração de renda. A expansão, entretanto, esbarra na estrutura da cadeia solar. O Iema aponta que a cadeia de suprimento está concentrada principalmente no Sul e no Sudeste, enUsinas solares instaladas no Oeste Solar Parque, da Aegea em Cuiabá, atendem ao consumo energético das operações da concessionária em Mato Grosso: Águas de Barra do Garças, Águas de Paranatinga, Águas de Pedra Preta e Águas de São José. Foto: Aegea Brasil Energia, nº 506, 02 de setembro de 2026 55

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