66 Brasil Energia, nº 506, 02 de setembro de 2026 Rubem Cesar Souza é engenheiro elétrico, mestre em Engenharia Mecânica, doutor e pós-doutor em Planejamento de Sistemas Energéticos, professor na UFAm e Unicamp. Escreve na Brasil Energia a cada dois meses. Rubem Cesar Bioenergia e eletrificação na Amazônia A implementação de programas segue limitada por problemas históricos de governança, financiamento e escala. A COP30 apenas reforçou promessas, mas não trouxe a ruptura efetiva desejável A realização da COP30 – Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, em Belém (PA), em 2025, vem sendo amplamente apresentada como um marco histórico para a Amazônia. No entanto, um olhar mais criterioso percebe que a conferência foi pouco além de reforçar um discurso pré-existente e trazer inovação de fato. Grande parte das diretrizes anunciadas já vinha sendo construída desde o Acordo de Paris (2015) e reiterada em sucessivas COPs, com avanços incrementais e, muitas vezes, dependentes de compromissos futuros pouco vinculantes. Entre os temas reiterados na COP30, destacaram-se a valorização da biomassa regional e a eletrificação sustentável de comunidades isoladas. Embora relevantes, esses temas continuam enfrentando o mesmo problema estrutural observado em conferências anteriores: a distância entre o discurso internacional e a capacidade real de implementação na escala amazônica. O documento final da COP30 reafirmou a necessidade de acelerar ações climáticas, fortalecer
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=