e-revista Brasil Energia 506

Brasil Energia, nº 506, 02 de setembro de 2026 67 a chamada “transição justa” e ampliar o financiamento internacional para mitigação e adaptação. Também foi apresentado o Roadmap Baku–Belém, com a ambição de mobilizar até US$ 1,3 trilhão anuais até 2035, além da proposta do Tropical Forest Forever Facility (TFFF), voltado à monetização da conservação florestal. Embora o volume de recursos projetados seja expressivo, não há garantias concretas de execução. Historicamente, compromissos financeiros anunciados em COPs anteriores — como os US$ 100 bilhões anuais prometidos desde 2009 e reiterados até a década de 2020 — não foram plenamente cumpridos ou foram redirecionados de forma desigual entre países e setores. Nesse sentido, a COP30 reforça uma tendência já conhecida: a expansão de mecanismos financeiros sofisticados, mas de implementação lenta e incerta. Bioenergia: potencial elevado, execução limitada A bioenergia segue sendo apresentada como uma das principais alternativas para a Amazônia. A região possui ampla disponibilidade de biomassa residual oriunda de cadeias produtivas como açaí, castanha, mandioca, dendê, madeira manejada e sistemas agroflorestais. Estudos publicados ao longo da última década já indicavam o potencial técnico da conversão energética desses resíduos em combustíveis sólidos, biogás e gás de síntese via processos como a gaseificação. Da mesma forma, trabalhos apresentados no Congresso Brasileiro de Energia Solar em 2019 e 2022 demonstraram a viabilidade de sistemas híbridos com biomassa e solar fotovoltaica para a geração descentralizada em comunidades isoladas. Soma-se a esse rol as experiências desenvolvidas pela Universidade Federal do Amazonas, divulgadas nesta coluna em edições anteriores.

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