Brasil Energia, nº 506, 02 de setembro de 2026 83 As perdas totais de energia representaram 14,3% da energia injetada no sistema elétrico brasileiro em 2025. Do total, 7,2% foram referentes às perdas técnicas, que somaram 45,2 TWh, enquanto 7,1% corresponderam às perdas não-técnicas – um total de 45 TWh. Os dados são do relatório Perdas de Energia Elétrica na Distribuição 2026/2025, da Aneel. As perdas técnicas são as que ocorrem inevitavelmente no transporte da energia, seja na rede básica ou na distribuição, por conta da dissipação no próprio processo de transporte, transformação de tensão e medição em decorrência das leis da física. As perdas não técnicas, apuradas pela diferença entre as perdas totais e as perdas técnicas, têm origem principalmente nos furtos (ligação clandestina, desvio direto da rede), fraudes (adulterações no medidor ou desvios), erros de leitura, medição e faturamento. De acordo com o relatório, as 10 distribuidoras de energia com maiores montantes de perdas respondem por 76,2% das perdas não técnicas do Brasil. Entre elas, Light e Amazonas Energia respondem por 31,2% das perdas não técnicas, enquanto o mercado de baixa tensão dessas duas distribuidoras representa somente 5,8% do mercado brasileiro. As perdas técnicas resultaram em um custo de cerca de R$ 11,7 bilhões, calculado a partir da multiplicação dos montantes pelo preço médio da energia nos processos tarifários em 2025, sem considerar tributos. Essas perdas, inerentes a qualquer sistema de distribuição, são calculadas pela Aneel considerando a operação eficiente das redes e repassadas às tarifas. O reconhecimento tarifário das perdas na rede básica totalizou aproximadamente R$ 1,5 bilhão nos processos tarifários de 2025. O relatório mostra que as perdas não técnicas regulatórias, obtidas pela multiplicação dos montantes reconhecidos nos processos tarifários pelo preço médio da energia de 2025, resultaram em custo aproximado de R$ 7,9 bilhões, o que representou 3,1% da receita requerida. O montante corresponde também a 9,7% da Parcela B das distribuidoras, variando conforme a concessionária. Já as perdas não técnicas reais no país representaram um custo da ordem de R$ 11,5 bilhões. O peso sobre o consumidor O tamanho do problema também foi tema de audiência na Comissão Externa da Agenda “Brasil Legal”, na Câmara dos Deputados, na qual Aneel e distribuidoras apresentaram dados sobre os impactos das chamadas “perdas não técnicas” do setor elétrico. Segundo os números apresentados, os consumidores pagaram mais de R$ 7 bilhões por ano, em 2024 e 2025, por conta desses prejuízos – resultado dos custos provocados por furtos de energia, incluindo ligação clandestina e desvio direto da rede, os famosos “gatos”, além de fraudes ligadas à adulteração de medidores. A Abradee registrou R$ 11,3 bilhões de prejuízos em 2025, dos quais R$ 7,8 bilhões foram repassados para as tarifas. Já em 2024, segundo a Aneel, as perdas chegaram a 40 TWh, equivalentes a 6,6% de toda a energia injetada no país. O custo alcançou R$ 10,3 bilhões, rateados entre consumidores (R$ 7,1 bilhões), distribuidoras (R$ 3,3 bi-
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