10 Brasil Energia, nº 507, 21 de setembro de 2026 entrevista Miro Arantes O que é o Mauá hoje? O Mauá é um estaleiro com uma tradição enorme, um ícone na indústria naval brasileira. No entanto, como todos os estaleiros no Brasil, entrou em crise. Todos. Uns mais, outros menos. Com a questão lá atrás da Lava Jato, da queda do petróleo, do abandono da política de conteúdo local, todos os estaleiros que vieram num crescente, que investiram, que fizeram diversas coisas contando que iam ter uma perenidade, entraram numa onda descendente. E isso não aconteceu só com o Mauá. O Estaleiro Mauá, desde 2013, 2014, culminando em 2015 praticamente com uma paralisação das suas atividades, ficou na UTI. Foram mais de dez anos. Nesse período, na UTI, ele sobreviveu fazendo reparos e subatividades. Com dificuldade, porque não tinha caixa. Até que o estaleiro entrou com uma solicitação de recuperação judicial que foi aprovada. Levou quase dez anos para ser aprovada. Entrou em 2016, quando todos os contratos da Transpetro que estavam sendo realizados aqui foram paralisados. O plano, depois de nove anos de discussão, foi finalmente aprovado em abril de 2024. Eu fui contratado em agosto de 2024 para reconstruir esse estaleiro. Não é uma atividade simples arrumar um estaleiro, uma empresa em recuperação judicial precisa seguir alguns padrões. Mesmo com a recuperação, a gente enfrentou alguns desafios, porque com quatro meses, cinco meses do plano aprovado e em vigência, ele foi questionado e suspenso na Justiça. E, na outra ponta, a gente tinha o compromisso de pagar os trabalhadores. A gente teve que ir para a Justiça. Teve um imbróglio muito grande. Como o estaleiro está, atualmente, após esse longo processo? Hoje, o estaleiro tem um outro funcionamento. Ele passou nesses últimos dois anos por diversas modificações, a começar pela infraestrutura. A gente trocou, fez uma infraestrutura de energia elétrica, de subestações. Eram uns equipamentos muito antigos. Então a gente tomou a decisão de fazer um investimento grande. Os guindastes todos precisaram passar por certificações, reformas. Isso tudo para que o estaleiro pudesse, em paralelo, aumentar a sua capacidade de venda, já que a gente não estava participando (de licitações), porque a gente não tinha as CNDs (certidões de nada consta), porque a gente ainda tem uma disputa com a Transpetro por conta dos navios que saíram. Então, a gente não podia participar dos bids de construção dos navios da Transpetro. Qual foi a alternativa? A gente criou um outro segmento, que é um segmento de fabricação de estruturas offshore. Com isso, a gente se qualificou junto à Seatrium, a antiga BrasFels, junto à Subsea7, junto à Technip, para fabricar grandes estruturas, e a gente fabricou, da P-73 e da P-84, 4 mil toneladas de estruturas, em 2025 e neste ano. A gente mudou o nosso portfólio. Continuamos fazendo reforma e reparo. Isso tudo faz parte de um projeto de cinco anos de reestruturação, reorganização, para que a gente possa voltar a construir. Porque o estaleiro só com a atividade que a gente tem, de reparo, de fabricação, a gente entende que é pouco, ou que não é suficiente para enfrentar os desafios que a gente tem.
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