Brasil Energia, nº 507, 21 de setembro de 2026 11 Você diria que o Mauá já saiu da UTI? Já saímos. Estamos saindo. O que isso significa? Primeiro, a gente já tem as nossas CNDs, ou seja, todo o passivo tributário com a prefeitura, com o estado e com o governo federal foi renegociado.A gente está em dia. Toda a parte tributária, fiscal, toda a parte de funcionários, suprimentos, fornecedores, nós estamos 100% em dia. A organização da empresa, a forma de planejar. A gente criou os nossos sistemas. A parte de infraestrutura do estaleiro está terminando. A última fase é a carreira, onde tinha metade do navio 514 da Petrobras abandonado, da Transpetro. A gente teve que cortar ele todo, sucatear ele todo. A carreira já está limpa, mas ainda temos quase 4 mil toneladas de aço para sair daqui. Vai sair, está saindo. De forma que a gente tenha todo o nosso fluxo industrial pronto se a gente for começar a construir um navio. Esse fluxo está pronto, a gente fez reforma. Claro que tem ainda alguns investimentos para serem feitos se a gente for construir um navio do início ao fim. Mas esses investimentos a gente não tem como fazer se a gente não tiver um contrato. Até agora, a gente investiu e preparou o estaleiro para estar pronto para cotar, e isso a gente já está fazendo. O Mauá vai participar de licitações? Hoje, a gente está fazendo o orçamento de algumas embarcações que não são para Petrobras, que não são para Transpetro, mas são para clientes que trabalham para a Petrobras. Nós estamos terminando também um treinamento para voltar a construir, terminando dois PSVs para o Poseidon. Estamos fazendo toda a parte de acabamento e de renovação das tubulações. É um treinamento grande para toda a parte de construção. De meados de 2024 para cá, o nosso planejamento está rigorosamente dentro dessa linha. Como o estaleiro se vê no futuro? A gente espera, primeiro, que a gente cumpra o plano de recuperação e a gente está cumprindo. Segundo, que a gente tenha condições de atuar, se não diretamente para Petrobras — e a nossa busca é essa —, mas atuar sendo terceirizado por alguém que tenha contratos com a Petrobras ou com a Transpetro, fazendo parcerias ou construindo direto para empresas que queiram vir. Para isso, tem um trabalho muito grande de convencimento, porque as empresas que entram em recuperação judicial sofrem de uma questão, que é o desconhecimento do que é uma recuperação judicial. O que acontece por estar em recuperação judicial? A empresa que está em recuperação judicial e que está cumprindo com o seu plano de recuperação judicial, se ela fecha um contrato, mais do que nunca, ela precisa cumprir aquele contrato, porque se você não cumprir, pode perder todo o acordo que você fez na sua recuperação. Quando as obrigações do plano de recuperação se encerram? Ah, são 15 anos. Mas isso não impede vocês de participar de concorrências?
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