e-revista Brasil Energia 507

12 Brasil Energia, nº 507, 21 de setembro de 2026 entrevista Miro Arantes Não, não impede. Mas é como eu te disse. Existe ainda muito desconhecimento sobre isso. Claro que uma empresa que está em recuperação judicial não tem o balanço bonito. Mas o balanço consegue demonstrar que o estaleiro está pagando tudo que é corrente e está reduzindo a sua dívida passada. Porque, o que acontece com a gente hoje é que a gente tem que trabalhar, ter recurso para pagar o passado. Numa empresa em recuperação judicial não há distribuição de lucro. E o estaleiro tem que pagar, não pode se dar ao luxo de não pagar o corrente. Existe uma sensação de risco do mercado? Quando a empresa vai assinar um contrato de construção, são contratos de três anos. É diferente de um contrato de manutenção, de reparo, que o contratante vai ficar aqui um mês, dois meses, no máximo. Num contrato de construção, o contratante pensa assim: ‘Não, o estaleiro está em recuperação judicial. Quais são os meus riscos? Ele pode não cumprir com o plano, aí o meu o meu navio que tá lá vai ser arrestado por conta do plano’. Não é assim. Tudo o que está aqui dentro hoje, ao contrário, está protegido, porque o que está na recuperação é o passado, então não se confundem essas coisas. Mas é um desafio de convencimento. Eu tenho clientes que já entendem isso, e clientes estrangeiros, inclusive. Tem um acordo com a Hanwha, que é uma empresa coreana. Como é esse acordo com a Hanwha? A gente tem um acordo com eles. Temos um memorando assinado. Eles entendem que têm proteção. Porque a gente, além de ter a obrigação de cumprir com o plano, a gente tem uma fiscalização muito maior do que uma empresa que não está em recuperação. Nós somos fiscalizados pelo administrador judicial. O senhor vê o Mauá vivendo um período de pujança novamente? Não é o Mauá, são os estaleiros no Brasil. Depende muito de uma política de governo. Não de governo, de Estado. Nós estamos agora num período de eleição. Se o governo que entrar entender que a indústria naval não é importante para a soberania nacional, não tem estaleiro. Aí o Mauá, o Atlântico Sul, o ERG, o Mac Laren, todos eles... De novo, a gente volta. O futuro dos estaleiros, inclusive do Mauá, não é para ficar fazendo reparozinho. É para fazer construção naval, para ter soberania de construir a frota naval, da Marinha de Guerra, como a gente está fazendo agora lá em Santa Catarina. É para construir os navios de apoio da Petrobras e de todas as oil companies que estão atuando aqui. Para fazer a cabotagem. Se a gente entender que a indústria naval é uma política de Estado, eu não tenho a menor dúvida de que o Mauá vai levar um pouco mais tempo do que outros que já se organizaram mais rápido. É possível retomar as grandes obras do passado? Eu não acredito que repetiremos o passado. Isso vai ser difícil. Porque a gente teve um programa, o Promef (Programa de Modernização e Expansão da Frota), que tinha 50 e tantos navios. Tinha o Prorefam (Programa de Renovação da Frota de Apoio Marítimo), que

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