Brasil Energia, nº 507, 21 de setembro de 2026 15 Potenciais de desenvolvimento na Margem Equatorial Não se trata de replicar no Amapá o parque industrial do Rio de Janeiro, mas identificar quais elos da cadeia fazem sentido econômico no Norte. Além de atender à nova área exploratória brasileira, o estado está próximo às novas fronteiras petrolíferas da Guiana e do Suriname Em agosto de 2026, cerca de 13 anos após o leilão de 2013, a Petrobras anunciou ter encontrado indícios de hidrocarbonetos em bloco exploratório na Margem Equatorial. Esta notícia era precisamente o que se esperava após a licença ambiental obtida em 2025. Os passos subsequentes são perfurar mais poços, para confirmar se a descoberta é técnica e economicamente viável. O primeiro resultado reduz substancialmente o risco geológico, mas ainda são necessários mais poços para delimitar e avaliar a descoberta. Por outro lado, o risco de não transformar esta descoberta em avanços econômicos expressivos para o Brasil permanece. O Brasil tem histórico irregular na transformação de vantagens em recursos naturais em capacidades industriais competitivas e exportadoras. A licença obtida em 2025, cerca de 10 anos após o esperado, foi manchete na imprensa local. Um fato até então corriqueiro e trivial virou manchete em razão do prazo e do embate político que, para além de critérios técnicos, permearam o processo. O caso inspira dúvidas e, por conseguinte, postergações em decisões de investimentos. Foi uma vitória para o Brasil e para a indústria do petróleo, mas está longe de trazer estabilidade e tranquilidade ao setor. Temos as competências para superar os riscos técnicos. Mas os riscos regulatórios permanecem como ameaça importante. Há um impasse cuja resolução é imperativa ao Brasil. O Amapá se destaca como região para instalação de parque industrial regional. Primeiramente pela própria proximidade do bloco sendo explorado agora. Mas há outros fatores geográficos sugestivos de vantagens deste estado. O Amapá está na extremidade norte da Margem Equatorial brasileira e em posição geográfica próxima às novas fronteiras petrolíferas da Guiana e do Suriname, países que já estão mais avançados na exploração e produção de petróleo. Segundo dados do Mdic, o Brasil foi de quase zero em 2019, para um total de US$1,8 bilhão de exportações para a Guiana de 2020 até junho/2026. A expansão acelerada das atividades petrolíferas no país motivou este espantoso avanço nas nossas exportaNão se trata de replicar no Amapá o parque industrial do Rio de Janeiro. Trata-se de identificar quais elos da cadeia fazem sentido econômico no Norte Telmo Ghiorzi é presidente executivo da ABESPetro, doutor em políticas públicas e mestre em engenharia. Escreve na Brasil Energia a cada três meses. Telmo Ghiorzi
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