14 Brasil Energia, nº 507, 21 de setembro de 2026 entrevista Miro Arantes Eles não estão fechados. Mas eu acho que o melhor caminho é um consórcio, para depois evoluir. É igual a um casamento. Mas estamos abertos. Como eu sou o responsável, eu estou aberto para discutir, para ouvir. Como está o acesso a financiamento? Os bancos privados não olham a indústria naval com bons olhos, porque a indústria naval vive de ciclos e a gente teve alguns problemas. A maior dívida do Mauá é a garantia que ele prestou para o BNDES no financiamento dos navios da Transpetro. Então, banco privado não tem. O que sobra para a gente é o financiamento por meio do Fundo da Marinha Mercante. A obtenção da prioridade no Fundo da Marinha Mercante é trabalhosa, mas se você tem um bom projeto, se você tem boas justificativas, você consegue aprovar. O grande problema é você transformar essa aprovação num financiamento de fato. Nós temos quatro bancos só que podem fazer isso: o BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica e Banco da Amazônia. Hoje, o Banco do Brasil não está aberto. A Caixa Econômica, talvez. O Banco da Amazônia, lá para cima, talvez. Mas quem sobra é o BNDES. Só que as garantias que o BNDES está colocando hoje são muito pesadas. O Mauá tem acessado o Fundo de Marinha Mercante? Não justifica para a gente. As nossas obras têm um fluxo positivo. Tudo que a gente tem investido no estaleiro é com recurso próprio. Hoje o que tem de obra? Nós temos uma carteira de reparo. Temos esse acordo, esse memorando com a Hanwha. Se ele entrar em eficácia, várias outras coisas vão acontecer. Nós temos os dois navios da Poseidon, que estão terminando a construção deles. Um é para o início do ano que vem, e o outro é para meados do ano que vem. Basicamente é essa a carteira que a gente tem. O que envolve o acordo com os coreanos? Ele envolve o arrendamento, o aluguel de um cais para eles atracarem um FPSO; ele envolve uma área para armazenarem os equipamentos deles; envolve um andar aqui do prédio para eles montarem a equipe técnica; e envolve a fabricação de estruturas e tubulações. Então seria basicamente de uso do espaço? O uso do espaço, com a possibilidade de fabricação por nós de coisas que eles precisam. Existe alguma perspectiva de contratação de mão de obra? A gente não trabalha com terceirizados, pouquíssimo. A gente deve ter 2%, 3% de terceirizados. Em 2024 a gente tinha 600 funcionários. Hoje, a gente tem na casa de 1,2 mil, 1,3 mil funcionários. E a contratação para o dia de hoje, para a carteira que eu tenho daqui até o início do ano que vem é suficiente. Se fechar o acordo com os coreanos, pode ser que precise. Aí já é uma outra história. n
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