Brasil Energia, nº 507, 21 de setembro de 2026 17 O que o momento da Noruega traz de relevante para o Brasil Entre os destaques observados em um país com produção declinante e aumento de custos, o Conteúdo Local se internalizou de tal forma que a obrigação regulatória do passado se transformou em um elemento permanente na cultura de empresas e profissionais Estive recentemente participando da ONS 2026, na Noruega, pude acompanhar conferências e visitar a exposição de mais de mil empresas. Um evento extremamente prestigiado, com os CEOs das principais oil companies que operam no Mar do Norte e nas novas fronteiras da África. Para minha grata surpresa, o antigo prefeito de Stavanger, Leif Sevland, que ocupou este mandato durante 16 anos, atualmente é o presidente da Fundação ONS, organizadora brilhante do evento de quatro dias. O evento, que acontece a cada dois anos em Stavanger, certamente já pode ser considerado o maior evento de petróleo da Europa, superando, em muito, o que também acontece em anos alternados em Aberdeen na Escócia. Nos eventos da indústria offshore mundial, possivelmente a ONS só será superada, em área e número de visitantes, pela nossa antiga Rio Oil Gas, atualmente chamada de ROG.e, que neste ano retornará ao Riocentro. A tradicional OTC em Houston perdeu muitos visitantes e expositores e tem pouca participação das majors do setor de O&G. A ONS 2026 recebeu cerca de 65 mil visitantes e a exposição foi organizada em imensos galpões alinhados, com cerca de 1 km de extensão, separados em diversos halls temáticos e com diversas arenas de debates e palestras. A participação de executivos de oil companies foi relevante e, também seguindo a tendência de outros eventos, de muitas empresas chinesas. Brasileiros participaram em mesas redondas e palestras, tanto na conferência quanto em eventos paralelos, como o Brasil Energy Meeting in Norway, promovido pela Norwep, em conjunto com a Brazilian Norwegian Chamber of Commerce (BNCC), ZoomOut e a Brasca. Destaque para a participação da diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, em uma concorrida mesa onde debateu o futuro da energia fóssil com os CEOs da Total, Shell e da Equinor. Aliás, o trabalho da Norwep, organização com representação em diversos países, funcionando como uma Apex para a indústria de óleo, gás e energia, foi muito ativo. Em eventos no exterior, costumo entender as tendências, como opera a produção local e comparar com situações no passado. Desde a década de 1990, tenho visitado a Noruega, em especial Stavanger, onde assinamos em 2000, pelo Governo do Estado do RJ e o Condado de Rogaland, um acordo entre Estados Irmãos. O Condado de Rogaland, onde se situa Stavanger, é a principal base petrolífera do país. Ao contrário do que acontece no lado do Reino Unido, é notável a efervescência do lado norueguês do Mar do Norte, sob a forte liderança e protagonismo da Equinor. Ainda assim, o Mar do Norte está em franco declínio, a ponto de descobertas de 400 milhões de boe sejam consideradas bastante relevantes para uma região que viveu grande prosperidade e em contraste com as gigantescas descobertas do pré-sal brasileiro. O evento e os debates, sob o provocante tema “Courage”, se concentraram nos desafios do declínio da produção e na Transição Energética. As Wagner Victer é engenheiro, administrador, ex-secretário de Estado de Energia, Indústria Naval e do Petróleo, e ex conselheiro do CNPE. Escreve mensalmente na Brasil Energia. Wagner Victer
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