e-revista Brasil Energia 507

18 Brasil Energia, nº 507, 21 de setembro de 2026 fontes renováveis não são vistas como solução de “substituição energética” no curto prazo, mas como fontes que se somam ao que já existe. Outros dois temas também muito debatidos envolveram segurança energética e os impactos geopolíticos. A concorrida palestra do presidente da Agência Internacional de Energia (IEA), o economista turco Fatih Birol, focou bastante esse contexto, à semelhança do que temos adotado no Brasil, onde a adição energética já é considerada palavra de ordem para um caminho em que o petróleo e o gás natural ainda terão bastante futuro. Observei que o conceito de Conteúdo Local, que aflorou na Noruega no final da década de 1960, se internalizou de tal forma que a obrigação regulatória do passado se transformou em um elemento permanente na cultura de empresas e profissionais. O conceito é tão forte que os sindicatos de trabalhadores muitas vezes inviabilizam a contratação de trabalhadores de fora se não falam o Norueguês, língua oficial em todas as plataformas e não o Inglês. Os noruegueses, conceitualmente, não consideram a hipótese de fazer, fora do seu país, algo que tecnicamente possa lá ser feito. A presença histórica e indutora do governo norueguês nessa questão também é muito forte. Ao contrário do que acontece no Mar do Norte inglês, o governo norueguês continua apoiando as atividades exploratórias, chegando a subsidiar 78 % dos custos dos poços sem sucesso. Isso traz intensidade à atividade exploratória. É o caso de uma certa empresa com previsão de perfurar 25 novos poços exploratórios por ano, totalizando 250 nos próximos 10 anos, para garantir à Noruega a posição de maior produtor da região e principal exportador de gás para o Reino Unido e países da Comunidade Econômica Europeia, em especial a Alemanha. No Mar do Norte norueguês a produção continua declinante, associada ao aumento de custos que chegam, às vezes, a 90%, na área de subsea. Por isso, cortar custos é uma obsessão. É o caso da adoção de especificações próprias mais alinhadas às do mercado – que chamam de Standartization -, do aumento de tiebacks para interligação de poços e recuperação de campos maduros e de novas técnicas que reduzam os custos de descomissionamento. Como pauta permanente, a Indústria de óleo e gás norueguesa sempre valoriza a redução de custos, a otimização de processos e a extensão de vida produtiva dos campos. Uma das grandes empresas estabeleceu como meta reduzir à metade o número de reuniões com o objetivo de imprimir mais foco e agilidade ao corpo técnico. O Brasil continua atraindo respeito e interesse da indústria do petróleo internacional. A apresentação que fizemos, como Petrobras, sobre o Projeto Búzios 12 lotou o auditório, inclusive com os principais executivos das empresas de engenharia participantes das últimas licitações da empresa. A contratação de novas plataformas pelo modelo BOT, com a execução do chamado “Early Engagement” para otimização dos projetos, buscando a redução de peso dos topsides e menores custos, foi bastante elogiada pelas empresas que lá compareceram. Além da Petrobras, a comitiva brasileira incluiu representantes da ANP, PPSA, MME, IBP, SPE Macaé, SindaRio e Soamar, da indústria, profissionais e prefeituras fluminenses. Aliás, foi notável constatar o número de brasileiros atuando em posições relevantes em empresas norueguesas. A informação circulante de que está em fase de finalização um potencial acordo de livre comércio entre Brasil e Noruega não tira o ânimo da formação de parcerias visando o cumprimento das exigências de conteúdo local, previstos nos contratos brasileiros. Decididamente, a ONS merece entrar no calendário de quem atua na indústria de O&G. A experiência norueguesa deve ser acompanhada, em especial nas estratégias adotadas para o enfrentamento ao declínio da produção da sua costa. continuação do artigo O que o momento da Noruega traz de relevante para o Brasil A possibilidade de um potencial acordo de livre comércio entre Brasil e Noruega não tira o ânimo da formação de parcerias

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