32 Brasil Energia, nº 507, 21 de setembro de 2026 Especial de Capa Descomissionamento cional de reciclagem ainda é muito baixa diante da demanda crescente”. Pereira observa que o Estaleiro Eisa, no Rio de Janeiro, é o único no Estado com licença operacional ativa para a reciclagem de cascos de plataformas, que contou com apoio técnico de pesquisadores da universidade no licenciamento ambiental. “O gargalo acentua-se pelas características técnicas dos FPSOs nacionais, cujos cascos são majoritariamente navios petroleiros convertidos do tipo VLCC (Very Large Crude Carrier). São gigantes com mais de 300 metros de comprimento, 50 a 60 metros de largura e calado leve que supera 9 a 10 metros. Essas estruturas tendem a enfrentar dificuldades de acesso físico às bacias e diques da maioria dos estaleiros devido às suas dimensões”, explica o professor da UFF. Prolongamento de projetos é fator de incerteza A Gerente Geral de Petróleo e Gás da Firjan, Karine Fragoso, chama a atenção para alguns fatores que explicam o compasso de espera do mercado. Um deles é a mudança estratégica da Petrobras de passar a priorizar seu negócio principal, por meio do alongamento de prazos de seus projetos. “Houve um reequilíbrio financeiro dentro da Petrobras, uma revisão do planejamento estratégico. A companhia está alongando esse processo e isso colabora com o próprio país, uma vez que dá tempo para construirmos a infraestrutura”. A especialista analisa com cautela os valores envolvidos em programas de descomissionamento, uma vez que esses dados se referem a estimativas das operadoras relatadas à ANP. A gerente da Firjan afirma também que é preciso observar a parcela de cada componente nos custos totais desses serviços. “No volume de recursos, 40% é para o ambiente de poço, 30% para o ambiente de subsea e sistemas submarinos e 30% para a unidade estacionária, que é a plataforma. Então, não é só a plataforma. Eu estou falando de plataforma, de serviço e de poço”, analisa Karine Fragoso. De acordo com Marta Lahtermaher, diretora executiva da Onip, o mercado de fornecedores locais ainda não se mobilizou para essa carteira. “Do ponto de vista de fornecedores, eu ainda não percebi, honestamente, uma grande movimentação. As empresas ainda estão muito voltadas para fornecer para a exploração.” Busca de oportunidades com a reciclagem No momento, as primeiras movimentações mais concretas do setor estão nas mãos de poucas empresas. Entre elas, o professor Newton Narciso Pereira destaca o projeto conceitual do Terminal Portuário Barra do Furado, operado pela BR Offshore no Rio de Janeiro e voltado para a reciclagem de grandes ativos e dragagem dedicada. “Uma vez obtida a aprovação da licença de instalação, as obras físicas estão projetadas para iniciar entre o final de 2026 e o começo de 2027”. Segundo Mauro Destri, CEO da Destri Energy, o interesse por serviços de revitalização de cascos e outras partes das plataformas se deve ao retorno financeiro proporcionado pela antecipação da produção, que pode chegar a um ano e meio. “É só
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