Brasil Energia, nº 507, 21 de setembro de 2026 33 instalar um casco duplo e trazer os novos equipamentos. Fica muito similar à construção de um novo FPSO, como os que são fabricados na China”, disse o executivo, que prevê esse modelo no descomissionamento das plataformas P-35, P-37 e P-47. Aos poucos, a indústria nacional começa a desenvolver uma curva de aprendizado, com serviços realizados como os do Estaleiro Rio Grande (Engevix) no desmantelamento das plataformas P-32 e P-33. Ambas foram adquiridas pela Gerdau para reaproveitamento de sucata metálica utilizada na produção de aço da siderúrgica. Para Destri, que prestou serviços nos dois projetos no Estaleiro Rio Grande, os trabalhos realizados contribuem para a maturidade prática do mercado brasileiro para o crescimento da demanda. Essa experiência, afirma o executivo, pavimenta o caminho para a carteira bilionária prevista, com projetos que contemplam a desativação de plataformas de Sergipe-Alagoas e do Polo Norte da Bacia de Campos. No plano operacional, o executivo afirma que as atividades no país já iniciaram o desenvolvimento de uma curva de aprendizado acelerada. “Com a P-33, a operadora aprendeu e corrigiu o protocolo”, observa Destri. “A unidade foi enviada previamente ao Porto do Açu, onde passou por descontaminação profunda, remoção completa de bioincrustrações, limpeza de borra e a elaboração do Inventário de Materiais Perigosos (IHM) 2628”. Convenção de Hong Kong nas mãos do Congresso O Brasil ainda não é signatário da Convenção Internacional de Hong Kong para a Reciclagem Segura e Ambientalmente Adequada de Navios (Hong Kong Convention - HKC), adotada em 2009 pela Organização Marítima Internacional (IMO). A decisão depende da aprovação do Projeto de Lei (PL) 1584/2021, atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados. Segundo Karina Fragoso, a situação do Brasil não impede o avanço local, uma vez que a indústria opera por vias privadas. “Se a Petrobras, por exemplo, vai ao mercado contratar um desmantelamento, pode ser colocado no contrato que o serviço deve seguir as premissas da convenção”. Com 24 países signatários, a Convenção de Hong Kong estabelece regras sobre o manejo de substâncias perigosas, a melhoria das condições de trabalho e ambientais nos estaleiros de desmantelamento, além da implementação de mecanismos de fiscalização e certificação. Embora exista o recurso da flexibilidade contratual, a gerente da Firjan reconhece que a ratificação oficial trará um salto comercial necessário. “Na medida que ocorre a adesão, isso abre muitas outras oportunidades e traz mais segurança, porque há respaldo de uma legislação do país, e não apenas do contrato”. Quem é fonte nesta matéria KARINE FRAGOSO, Gerente Geral de Petróleo e Gás da Firjan MARTA LAHTERMAHER, diretora executiva da Onip
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=