e-revista Brasil Energia 507

40 Brasil Energia, nº 507, 21 de setembro de 2026 Especial de Capa Descomissionamento Programas de Descomissionamento de Instalações (PDIs) aprovados pela ANP. Outros 42 permanecem em análise. O PDI é o documento técnico que cada operadora precisa apresentar com pelo menos cinco anos de antecedência do fim da produção. O programa detalha, entre outros pontos, como serão removidos dutos, equipamentos e instalações, qual será o status final dos poços e quais resíduos deverão ser gerados, em que quantidades e de que forma serão armazenados e destinados. A regra está prevista na Resolução ANP nº 817/2020, que, após seis anos de aplicação, passa por reavaliação da agência. As normas estabelecem ainda que o contratado deverá dispor de um sistema de gestão de responsabilidade social e sustentabilidade aderente às melhores práticas da indústria do petróleo e de acordo com normas internacionais. Além de avaliar se a proposta apresentada pelo contratado está de acordo com a regulamentação vigente, a agência também verifica o inventário das instalações que serão descomissionadas, suas condições de limpeza e descontaminação, assim como o adequado gerenciamento de efluentes, resíduos e rejeitos gerados. Há também uma trava financeira para impedir que a conta do encerramento dos campos sobre para o Estado. A Resolução ANP 854/2021 obriga as empresas a apresentar garantias financeiras e fazer aportes progressivos ao longo do contrato, até ter 100% do valor do descomissionamento garantido dois anos antes do fim da reserva ou do contrato, o que vier primeiro. Petrobras concentra uma parte relevante da carteira A Petrobras dá uma dimensão concreta ao que está chegando. No Plano de Negócios 2026–2030, a companhia prevê a retirada de 18 plataformas no período: sete fixas, sete flutuantes e quatro semissubmersíveis. A carteira inclui ainda cerca de 500 poços offshore com intervenções para abandono e o recolhimento de aproximadamente 1.800 quilômetros de linhas flexíveis. O volume financeiro previsto para essa carteira é da ordem de US$ 9,7 bilhões no quinquênio. Do total, 69% estão associados ao abandono de poços e 31% à retirada de equipamentos. A distribuição dos ativos mostra que a atividade não ficará concentrada em uma única região. As plataformas fixas estão espalhadas pelas bacias de Sergipe-Alagoas, que vai movimentar US$ 2,5 bilhões até 2035, Rio Grande do Norte, Ceará e Bacia de Santos. As unidades flutuantes previstas para retirada estão principalmente nas bacias de Campos e Santos. O calendário também já começou a produzir Quem é fonte nesta matéria ELISA SALOMÃO LAGE, chefe do Departamento de Gás, Petróleo, Navegação e Descarbonização do BNDES

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