e-revista Brasil Energia 507

44 Brasil Energia, nº 507, 21 de setembro de 2026 Especial de Capa Descomissionamento içamento e destinação de material já existe, mas a maturidade de organização da cadeia ainda está em formação. A Convenção de Hong Kong e a experiência acumulada com os projetos P-32 e P-33, tratados pela Petrobras como marcos de reciclagem sustentável, podem contribuir para que o Brasil avance de um mercado voltado à própria demanda para um fornecedor internacional de serviços de desmantelamento. BNDES tem crédito, mas ainda não financiou projetos O financiamento é outro componente da equação. O BNDES já dispõe de instrumentos que podem ser utilizados em projetos de descomissionamento e desmantelamento, mas existe uma diferença entre ter uma linha disponível e contar com uma carteira efetivamente financiada. O BNDES Finem – Produção e Desativação de Sistemas de Produção de Petróleo e Gás Natural financia, entre outras atividades, investimentos na desativação de sistemas de produção em fim de vida útil. Para operações de desmantelamento, o banco também dispõe de financiamento por meio do Fundo da Marinha Mercante (FMM). No Finem, o valor mínimo de financiamento é de R$ 40 milhões. Para micro, pequenas e médias empresas, pode chegar a 100% dos itens financiáveis; para os demais clientes, o limite pode alcançar 80% do projeto, respeitado o teto de 100% dos itens elegíveis. No FMM, o financiamento mínimo é de R$ 20 milhões, com participação de até 90% para armadores nacionais e 80% para estrangeiros. Há, porém, um dado que ajuda a dimensionar o estágio atual desse mercado: até o momento, o BNDES não aprovou nem contratou uma operação específica de descomissionamento ou desmantelamento desse tipo. Para Elisa Salomão Lage, chefe do Departamento de Gás, Petróleo, Navegação e Descarbonização do BNDES, o crédito de longo prazo será importante para sustentar a expansão da cadeia nos próximos anos: "O acesso ao financiamento de longo prazo é indispensável para gerar atividades nos estaleiros nacionais, mitigar riscos operacionais e garantir a conformidade socioambiental desse setor de alta complexidade técnica. A disponibilidade de linhas de crédito estruturadas assegura a atração de capital privado e a retenção de valor na cadeia de suprimentos local”, afirmou. O BNDES também vê no desmantelamento de embarcações uma oportunidade para habilitar o país a exportar esses serviços. A avaliação considera o aumento das restrições regulatórias e ambientais internacionais, impulsionado pela Convenção de Hong Kong, o aperfeiçoamento das regras brasileiras e o aprendizado que estaleiros e fornecedores deverão acumular ao atender às demandas da Petrobras previstas no Plano de Investimento 2026-2030.

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