e-revista Brasil Energia 507

Brasil Energia, nº 507, 21 de setembro de 2026 59 Ao longo do século XX, a história econômica brasileira orbitou em torno do debate sobre os ciclos de commodities que condicionavam os padrões de crescimento econômico internos. Por diferentes formas e razões, o comportamento dos preços do café na primeira metade do século e do petróleo no último terço do século passado afetaram a política econômica interna de forma constante, impondo uma típica restrição externa característica de economias da América Latina em desenvolvimento. No caso do petróleo, os dois choques dos anos 1970 levaram a uma evasão da dependência dos combustíveis fósseis com o começo da pesquisa do etanol, que se consolidou como alternativa crível nos últimos 15 anos e que, se não logrou sucesso na autonomia em relação aos fósseis, obteve ao menos a redução da dependência daqueles. De fato, após os choques dos anos 1970, a economia brasileira respondia de maneira semelhante a crises no mercado de óleo e gás, a saber, uma apreciação do preço internacional do petróleo em um primeiro momento impunha perdas na conta comercial brasileira já que até então a economia do país era importadora líquida de petróleo. Esse efeito provocava imediata depreciação da moeda local em relação às divisas internacionais, o que por sua vez desencadeava um repasse inflacionário que se somava ao efeito posterior de alta dos preços internos dos combustíveis. Um espiral perverso que ainda reduzia as taxas de crescimento econômico já que a indústria local enfrentava restrição para expansão da oferta, um clássico problema estrutural de crescimento. Esse padrão começa a ser alterado quando a economia brasileira alcança a autossuficiência em petróleo, ainda que haja a dependência ao gás importado boliviano. Com isso, os efeitos tradicionais decorrentes de choques nos preços do petróleo passam a afetar a economia brasileira de forma contrária. Tal quadro ficou em evidência com a atual crise do petróleo causada pela guerra entre EUA e Israel versus Irã. Trata-se do maior choque do petróleo em mais de 50 anos e, no entanto os únicos impactos sentidos pela economia são os usuais, de inflação de combustíveis que podem ser mitigados com medidas pontuais do governo. Situação que afeta praticamente todos os países do mundo. Quando observamos, o comportamento da conta comercial e mais precisamente da taxa de câmbio vemos um efeito atípico quando comparado às crises do século XX. A taxa de câmbio dólar x real experimentou seu nível mais baixo (moeda local apreciada) nos últimos 3 anos, rompendo para baixo a barreira dos 5 reais. Isto permitiu ao Banco Central promover uma operação que não realizava há 10 anos, a compra de dólar futuro para manejar as reservas cambiais, de modo a criar uma Ciclos do petróleo e o desenvolvimento econômico Os efeitos tradicionais decorrentes de choques nos preços do petróleo passam a afetar a economia brasileira de forma contrária. Tal quadro ficou em evidência com a atual crise do petróleo causada pela guerra entre EUA e Israel versus Irã Osmani Pontes é economista, com MBA em mercados de derivativos, opções e futuros pelo Insper e em gestão de portfólios cambiais pela EPGE/FGV. Escreve mensalmente na Brasil Energia. Osmani Pontes

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