e-revista Brasil Energia 507

60 Brasil Energia, nº 507, 21 de setembro de 2026 espécie de margem para acomodar choques adversos no futuro. A oportunidade se deu graças à entrada de recursos externos resultantes da mudança de preço do petróleo exportado, mesmo supondo as quantidades constantes de exportação. Isso ocorreu a despeito do cenário de incerteza da política monetária. Essa discussão é importante, mas não deve ser expandida para além de efeitos macroeconômicos, o que nos impossibilitaria de enxergar os problemas desse modelo de inserção comercial. Afinal, o Brasil ainda depende em alguma medida da importação de combustíveis por conta de limitações do parque de refino interno. Este, por sinal, é um problema que encontra limitações para ser solucionado no longo prazo, haja vista a insuficiente oferta de capital por parte do setor bancário a um mercado que possui risco elevado, longos prazos de maturidade do investimento e taxas de juros historicamente altas, quadro que praticamente exige que os investimentos dependam do governo. Finalmente, essa análise não deve criar a ilusão de que a política industrial do país não deve se mover em busca de fontes alternativas de energia. A transição energética segue imperativa na agenda de desenvolvimento, como já foi comprovado no passado quando se apostou no biocombustível. Assim, um debate não deve interditar o outro, pois é possível discutir o fortalecimento da competitividade e da oferta na cadeia de petróleo e gás, mas também a transição energética. Também é válido aproveitar o momento para refletirmos sobre em que medida os ganhos decorrentes do choque do petróleo não estão sendo capturados para retornos sociais e apenas macroeconômicos. Nesse sentido, o debate sobre o melhor uso e direcionamento dos recursos do fundo soberano voltam a se colocar no centro das discussões, tanto em relação aos recursos do pré-sal quando da margem equatorial. Afinal, uma das razões de se pensar alternativas ao petróleo é justamente sua volatilidade e dependência da geopolítica. Da mesma forma que devemos aproveitar os ganhos quando se colocam, devemos nos preparar para a fase adversa que em algum momento o ciclo trará novamente, sendo que agora estamos do lado oposto do que nos acostumamos ao longo dos anos 1970-2000. continuação do artigo Ciclos do petróleo e o desenvolvimento econômico Com a autossuficiência alcançada, o maior choque do petróleo em 50 anos afeta a economia de forma contrária a dos anteriores. A inflação dos combustíveis, único impacto na economia, pode ser mitigado com medidas pontuais do governo.

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