66 Brasil Energia, nº 507, 21 de setembro de 2026 reta, excluem os impactos de eventos climáticos extremos. A consequência de tudo isso é uma discussão contínua entre Poder Concedente, Agência Reguladora e as distribuidoras para exigir melhorias nos indicadores de qualidade durante crises climáticas, acompanhadas de multas e punições cada vez mais severas. Nesse ponto surgem minhas indagações: conseguiremos, com o atual modelo de redes aéreas, atingir os patamares exigidos pela sociedade? As redes aéreas mais modernas, aliadas à digitalização e à implantação de automações, terão capacidade de superar esse desafio? Entendo que não. Por isso, necessitamos de um novo modelo de redes onde a presença de trechos subterrâneos será imprescindível, integrados às demais modernizações tecnológicas. Já existem alternativas de redes subterrâneas de menor custo e a tarifa de energia tem espaço para absorver a necessária ampliação dessas redes sem grandes impactos, desde que haja uma redução nos altos subsídios concedidos a certas fontes de energia e a determinados grupos de consumidores. Há de se considerar também que as tarifas devem ter flexibilidade para que os consumidores diretamente beneficiados pelas melhorias na confiabilidade contribuam proporcionalmente mais do que os demais. Definir a qual percentual de rede subterrânea devemos chegar, em qual prazo e em quais locais exige uma análise responsável e consistente, mas que não pode mais ser adiada. A participação de outros entes impactados, como prefeituras municipais e empresas de telecomunicações, é imprescindível na construção desse novo modelo de infraestrutura urbana. Ao nos aproximarmos da renovação de mandatos parlamentares e governamentais, este se torna o momento adequado para aprofundar esse debate. continuação do artigo Mudanças climáticas exigem uma política para redes ubterrâneas
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