Brasil Energia, nº 507, 21 de setembro de 2026 71 A meteorologia diz que, no Brasil, El Niño se manifesta, de modo geral, como causador de enchentes na região Sul, seca no Norte e Nordeste e apresenta comportamento errático no Sudeste/ Centro-Oeste (SE/CO) do país. Por enquanto, mesmo no mês geralmente mais agudo do período seco, o quadro é favorável no que se refere ao armazenamento hidrelétrico. O quadro de baixas temperaturas e de chuvas acima da média que caracterizou as duas primeiras semanas de setembro no SE/CO resultou em que os principais reservatórios do subsistema que concentra 70% da capacidade de acumulação de energia do país mantiveram estabilidade no período e o subsistema como um todo chegou ao dia 13/09 em melhor situação do que no mesmo dia do ano passado, com 57,32% de armazenamento, contra 54,48% em 2025. Nos 13 primeiros dias de setembro, Furnas, no rio Grande, principal reservatório da região, perdeu apenas 0,19 ponto percentual de acumulação, passando de 62,05% para 61,86%. No ano passado a baixa no mesmo período foi de 53,13% para 49,34%, ou seja, Furnas entrou na reta final do período seco com menos da metade do volume útil. Nos dois principais reservatórios do rio Paranaíba, Emborcação e Nova Ponte, embora o quadro de acumulação não seja tão favorável quanto em Furnas, a evolução foi parecida entre os dias 1º e 13 deste mês. Emborcação perdeu 0,50 ponto no período, de 56,98% para 55,48%, e Nova Ponte baixou 0,61 ponto, de 47,95% para 47,34%. No ano passado as reduções foram, respectivamente, de 56,66% para 55,78% e de 51,92% para 50,36%. O quadro dos principais reservatórios reflete um raro setembro chuvoso no SE/CO, pelo menos até a primeira metade do mês, levando o ONS a projetar afluências para o subsistema de 114% da MLT ao final do período. É cedo para comemorar, considerando-se que a projeção é de que El Niño permaneça de plantão até o final do próximo verão. Mas, por enquanto, sua ação do ponto de vista da principal fonte de geração elétrica brasileira é de amigo. A ressaltar que os reservatórios do Nordeste, segundo subsistema do país em capacidade de acumulação, estavam com 72,71% da capacidade no dia 13 de setembro. No mesmo dia de 2025 estavam com 57,29%. n UHE Emborcação: reservatório perdeu 0,50 ponto no período, de 56,98% para 55,48%
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