e-revista Brasil Energia 507

Brasil Energia, nº 507, 21 de setembro de 2026 77 O Brasil se prepara para escolher o presidente, os governadores e parlamentares que irão conduzir o país e as unidades da Federação pelos próximos quatro anos. Nos intervalos entre os escândalos que têm abalado a República, algumas discussões tangenciaram temas como segurança pública, escala 6x1, previdência, inflação, minerais críticos ou mesmo soberania nacional. Mas um tema que atravessa praticamente todos esses debates continua surpreendentemente fora da campanha eleitoral: a energia elétrica. Discutir o sistema elétrico no Brasil é falar de uma das contas de luz mais caras do mundo, que pesa no orçamento de milhões de famílias, que aumenta o preço dos alimentos e dos produtos e afeta toda a indústria nacional, comprometendo a competitividade internacional. E não é apenas tudo isso. Estamos em plena escalada do Super El Niño, com grande probabilidade de ser o maior de todos os tempos, provocando eventos climáticos extremos críticos em nosso país. Seja na esfera federal ou estadual, as autoridades não estão em dia com o papel de planejamento e preparação para o enfrentamento dessas situações graves que se avizinham. Também não há no debate eleitoral qualquer sinalização relevante sobre o tema. Esperamos que não seja preciso uma nova catástrofe ou apagão para que, apenas circunstancialmente, essa pauta seja contemplada. O modelo que ainda sustenta a organização do setor elétrico foi concebido entre 1998 e 2004. Desde então, a realidade mudou profundamente. A matriz deixou de ser predominantemente hidrotérmica e incorporou grandes volumes de geração eólica e solar. A geração distribuída alcançou milhões de consumidores. O mercado livre avançou. A eletrificação dos transportes tornou-se realidade. O clima mudou, a vazão dos rios diminuiu. Mas nossas regras e nossa governança não acompanharam todas essas transformações. O resultado dessa desconexão aparece de maneira quase didática no “curtailment”. Em 2025, o Brasil desperdiçou cerca de 20% da energia eólica e solar que poderia ter sido produzida. Temos energia limpa disponível e, ao mesmo tempo, contratamos soluções mais caras para garantir segurança ao sistema. Transformamos abundância em ineficiência. A energia elétrica precisa entrar na campanha eleitoral Os candidatos à presidência deveriam dizer aos brasileiros qual setor elétrico pretendem entregar ao país nos próximos quatro anos. Os candidatos a governador deveriam apresentar seus planos ante as mudanças climáticas e mostrar como vão proteger suas populações Luiz Eduardo Barata é presidente da Frente Nacional dos Consumidores de Energia e do Instituto dos Consumidores de Energia. Escreve na Brasil Energia a cada dois meses. Luiz Barata

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