e-revista Brasil Energia 507

78 Brasil Energia, nº 507, 21 de setembro de 2026 Enquanto isso, a conta paga pelo consumidor continua crescendo por razões que muitas vezes sequer estão relacionadas à energia consumida. A Conta de Desenvolvimento Energético passou de R$ 18 bilhões em 2018 para mais de R$ 58 bilhões em 2025. Hoje, encargos, tributos e perdas representam cerca de 40% do custo da energia elétrica. A tarifa acabou transformada em uma espécie de orçamento paralelo para financiar políticas públicas. Subsídios são criados, prorrogados e sobrepostos; benefícios que deveriam ser transitórios tornam-se permanentes; e os custos terminam socializados entre consumidores que não participaram dessas decisões. É justamente por isso que causa preocupação a ausência desse debate na campanha eleitoral. Os candidatos à presidência deveriam estar dizendo aos brasileiros qual setor elétrico pretendem entregar ao país nos próximos quatro anos. Os candidatos a governador deveriam apresentar seus planos de adaptação às mudanças climáticas e mostrar como vão proteger suas populações e manter o equilíbrio de suas regiões com o cenário de mudanças tão radicais previsto para os próximos anos. Aqueles que desejam ser eleitos para o Congresso Nacional deveriam demonstrar como enfrentarão o crescimento dos encargos e toda as distorções que afetam a conta de luz e que são aprovadas no Legislativo. O que pretendem fazer com a CDE? Como resolverão estruturalmente o curtailment? Sobretudo, como pretendem impedir que novas decisões políticas continuem transferindo custos para os consumidores (eleitores) de energia. Esses temas fazem parte de um problema maior: o Brasil precisa rever o Modelo do Setor Elétrico Brasileiro, incluindo o planejamento para a expansão do sistema, sua operação, a comercialização da energia e sobretudo a governança do setor elétrico. Essa é uma tarefa prioritária para os próximos quatro anos, a ser conduzida pelo Executivo e pelo Legislativo. O Brasil possui recursos naturais e, consequentemente, um potencial energético que poucos países têm. Nosso problema principal está no descompasso entre a configuração do sistema, seja na produção de energia seja no consumo e o regramento vigente, sem contar com a interferência política e a ação dos grupos de interesse. Ainda há tempo para colocar essa discussão na campanha. Quem pretende ser eleito para um mandato a partir de 2027 precisa dizer o que pensa sobre energia elétrica, sua relação com o consumidor dessa energia e demonstrar de forma técnica e concreta como pretende atuar nessa pauta tão relevante para todo o país. continuação do artigo A energia elétrica precisa entrar na campanha eleitoral Subsídios são criados, prorrogados e sobrepostos; benefícios transitórios tornamse permanentes; e os custos são socializados entre consumidores que não participaram dessas decisões.

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=