Brasil Energia, nº 507, 21 de setembro de 2026 83 tiva com a extração em argila. “Com argila, o custo fica menor, porque o mineral já foi destruído pelo intemperismo”, afirma o geólogo. Ele esclarece que a ação da natureza “quebra” a rocha e faz com que os minerais críticos sejam dissolvidos, podendo ser separados com adição de um sal na solução, o que representa um impacto ambiental significativamente menor. “Na argila, não precisamos expor a calor, britar ou moer a rocha para obter os minerais críticos. O processo para separar esses elementos não tem problemas residuais, como odor, e o custo é reduzido, enquanto as minas que operam em rocha dura quase perdem a lucratividade”, afirma. Produção de imãs A partir das terras raras é possível produzir ímãs que integram itens essenciais no cenário atual. “Carros elétricos, geradores eólicos e máquinas de ressonância magnética, por exemplo, usam ímãs de terras raras. Ao contrário dos ímãs de ferrite, que perdem a propriedade com calor e o tempo, os ímãs de terras raras exigem uma massa menor para ter força e possuem maior resistência a calor”, define Petersen. O professor titular da Escola Politécnica da USP, Fernando Landgraf, defende que o Brasil não apenas extraia terras raras e comercialize o minério bruto, mas avance na cadeia produtiva. “Existem cinco fábricas que produzem imãs com minerais críticos no mundo. É arriscado parar na extração e separação, sem partir para processos que agregam mais valor, já que, como há poucos compradores de terras raras, há risco de oligopólio, com detenção de tecnologias”, resume. Landgraf explica que o custo da separação das terras raras é menor do que o de extração, mas ainda há obstáculos para avançar neste setor. “Existe um desafio de se desenvolver os solventes para a extração. Hoje em dia só os chineses fazem isso”, afirma. A produção de ímãs, próximo passo na cadeia que já é estudado pela empresa brasileira MagBras, em Lagoa Santa, também tem dificuldades. “Hoje, não se compra mais máquinas para fazer ímãs de terras raras, uma vez que a China encerrou as vendas. Isso será um problema, mas não insolúvel. Se o ocidente quer produzir ímãs, terá que criar empresas de fornos e prensas para criar esses produtos”, resume o professor. “Do mineral até o material” A visão de que o Brasil precisa refinar terras raras e produzir ímãs com os minerais críticos é compartilhada por Erwin Franieck, secretário da Rede Colaborativa MiBi (Made in Brasil Integrado), criadora da MagBras. Segundo ele, é necessário “desenvolver a cadeia do mineral até o material”, para isso, ele diz que seria necessário inteligência de mercado, integração na cadeia e fazer alianças. O diferencial que poderia dar vantagem para o Brasil, na visão de Erwin, seria a produção sustentável. “Para competir com a China, não podemos nos basear apenas nos custos”, ele afirma. “Gerar sustentabilidade é o tema central no Brasil, nós somos o melhor país do mundo nessa condição”, ressalta. O palestrante cita a matriz energética limpa e a extração em argila como fatores que posicionam o Brasil como melhor alternativa para compradores que buscam minerais críticos produzidos com sustentabilidade. n
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