100 Brasil Energia, nº 508, 30 de outubro de 2026 porte do petróleo no mundo, particularmente oriundo do Oriente Médio. O conflito com Irã tem resultado em fechamentos do Estreito de Ormuz e os conflitos dos Houthis com a Arábia Saudita tem causado danos de oleodutos de exportação e possível fechamento do estreito de Bab El-Mandeb, no Mar Vermelho. O momento soa muito oportuno para retomada geral das atividades de produção na Venezuela, onde já existe petróleo descoberto em terra, em que pesem os desafios para recuperação da produção, incluindo petróleo extrapesado e a colocação no mercado. Em janeiro de 2026, o presidente Trump havia pedido aos executivos das empresas de petróleo que investissem bilhões para reconstruir a infraestrutura petrolífera debilitada da Venezuela, após a captura de Maduro. No entanto, os principais executivos do setor de energia resistiram inicialmente, em face das circunstâncias de deterioração geral da indústria do país. Mais recentemente, entretanto, várias empresas têm mostrado interesse e assinado acordos, inclusive a ExxonMobil, que segundo fontes oficiosas estaria avançando nas tratativas para um acordo preliminar com a PDVSA. Isso contrasta com o que disse o CEO da empresa norte-americana em janeiro de 2026, quando qualificou a Venezuela como inviável para investimentos (uninvestable), devido a questões legais não resolvidas, falta de segurança jurídica para proteção ao investimento e a necessidade de reformas democráticas. Mantido o ritmo dos novos investimentos, é possível que o país volte a exibir níveis de atividades e produção semelhantes ao período anterior a 2018, quando o país produzia cerca de 3 milhões de barris/dia. A PDVSA, sob o governo Chávez, chegou a anunciar, em 2010, planos para elevar a produção do país a 4,8 milhões de barris/dia (PDVSA - Plan Siembra Petrolera 2010-2015), meta jamais alcançada. Atualmente, espera-se que o país possa manter incrementos futuros contínuos até o patamar de 2 milhões ou 2,5 milhões de barris/dia. A produção voltou a crescer e alcançou a média de 1,15 milhão de barris por dia em agosto, segundo a OPEP (https://tradingeconomics.com). Considerações finais Uma recuperação sustentada para o atingimento de uma produção de até 3 milhões de barris diários ou mais, ao longo de um horizonte de 10 a 15 anos, talvez seja tecnicamente plausível, mas deve ser entendida como potencial de produção de longo prazo. Algumas questões preocupantes permanecem, como a legitimidade da presidente interina e sua capacidade de liderar efetivamente as reformas necessárias para a transição democrática do país e a retomada da confiança dos investidores no país. O recente discurso da presidente interina, em Washington, revela uma relação atual singular entre os países, onde o governo venezuelano representa um estado tutelado pelo governo americano. Nesse aspecto, o esperado anúncio da data para eleições tem causado inquietações na oposição, nos chavistas mais radicais e na população. Aparentemente, isso não preocuparia o governo norte-americano, desde que a presidente interina cumpra o compromisso de fazer concessões e ceder o controle das receitas pela venda do petróleo venezuelano. Isso tem levado chavistas mais radicais a se unirem à oposição venezuelana nas críticas ao governo atual, um fenômeno inimaginável anteriormente à queda do Maduro. Esse precedente mantém abertas duas incertezas: um possível cenário de novos ciclos de nacionalização e de seus efeitos sobre os investimentos e a possibilidade de que uma futura mudança no governo dos Estados Unidos, com o fim da era Trump. Portanto, a recuperação sustentável da produção dependerá não apenas de recursos e capacidade técnica e ambiental, mas também da continuidade política e da estabilidade institucional. continuação do artigo O status da retomada da atividade petrolífera na Venezuela
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