Brasil Energia, nº 508, 30 de outubro de 2026 35 também tem apoio do governo estadual, já que a governadora Raquel Lyra zerou o ICMS do gás vendido para empresas do setor. No ano passado, a PBGás investiu no gasoduto João Pessoa–Cabedelo que levou o gás natural à área do Porto de Cabedelo, onde está instalada uma unidade industrial do Moinho Dias Branco, substituindo gás liquefeito de petróleo (GLP) pelo gás natural, em uma rede que também atende áreas residenciais e comerciais no percurso. No Ceará, a Cegás investiu para levar o gás natural canalizado à região do Crajubar (Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha), instalou este ano uma estação de distribuição em Juazeiro do Norte e anunciou que vai expandir a operação dos centros de distribuição de gás natural para as regiões de Sobral, Jaguaribe, Nova Russas e Quixadá. Mercado livre e governança O mercado livre de gás natural começa a ganhar escala no Nordeste também para a distribuição, embora ainda esteja concentrado em um número restrito de consumidores industriais. Em dezembro de 2025, a região reunia sete consumidores livres, responsáveis por um volume de 1,3 milhão de m3/dia, segundo levantamento da Abegás. Para Mendonça, da Abegás, a abertura do mercado pode ampliar as possibilidades de negociação e produzir efeitos positivos para os consumidores, desde que haja condições adequadas de funcionamento. O avanço, porém, depende de mecanismos que assegurem maior transparência às transações. A associação defende a publicidade integral dos contratos de suprimento firmados no ambiente livre e a estruturação de uma instância centralizada de governança para gerenciar as operações de compra e venda e acompanhar os preços praticados. A proposta é estabelecer mecanismos semelhantes aos da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), de modo a ampliar a visibilidade sobre as condições comerciais e dar mais consistência à expansão desse mercado. Desafios na região A pluralidade de produtores no Nordeste é um ponto de vantagem na região, afirma Mendonça, mas o custo da molécula segue assombrando toda a cadeia, incluindo a distribuição. Na avaliação do executivo, a competitividade do combustível depende de uma combinação de fatores que vai além da pluralidade de ofertantes e envolve o preço do gás na origem, as tarifas de transporte, a carga tributária e as condições de acesso às infraestruturas essenciais. Quando esses componentes se tornam mais competitivos, os efeitos podem se estender por toda a rede. Em relação ao transporte, a Abegás apoiou a decisão da ANP de zerar a Base Regulatória de Ativos (BRA) da malha Nordeste da TAG, o que deve baratear o custo final da tarifa. Já na frente tribuQuem é fonte nesta matéria MARCELO MENDONÇA, diretor-executivo da Abegás
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