e-revista Brasil Energia 508

Brasil Energia, nº 508, 30 de outubro de 2026 43 Produtores independentes transformam o mercado de GN do Nordeste Para uma região com produção distribuída entre diferentes estados, ativos terrestres, campos maduros, projetos de recuperação e alternativas como o GNL, a nova Lei do Gás pode criar condições para que essas oportunidades sejam aproveitadas de maneira mais eficiente. O mercado de gás natural do Nordeste passa por uma transformação que vai além do crescimento da produção. A atuação dos produtores independentes vem contribuindo para recuperar campos, desenvolver novas reservas, ampliar o aproveitamento da infraestrutura existente e criar novas alternativas de comercialização. Os resultados já aparecem nos números e revelam o potencial de uma região capaz de desempenhar um papel cada vez mais relevante na segurança energética e no desenvolvimento socioeconômico do país. Levantamento da Abpip, com base em dados da ANP, mostra que a produção total de gás natural do Nordeste cresceu 19,4% nos 12 meses analisados, passando de 10,76 milhões para 12,85 milhões de m3/dia. A comparação considera as médias diárias dos períodos de setembro de 2024 a agosto de 2025 e de setembro de 2025 a agosto de 2026. No mesmo intervalo, a produção atribuída aos independentes avançou 16,5%, alcançando 11,76 milhões de m3/dia. Essas empresas responderam por 79,6% do aumento líquido da produção regional e representam atualmente 91,5% do volume produzido no Nordeste. Os números evidenciam o protagonismo desses agentes na diversificação da atividade de exploração e produção e na ampliação das possibilidades de oferta de gás natural. Essa transformação assume características próprias em cada estado, refletindo a diversidade dos ativos, das operações e das oportunidades de desenvolvimento. Na Bahia, onde a produção total cresceu 43,8%, a recuperação do campo de Manati, no qual a GBS Storage participa de um consórcio, teve papel importante. Paralelamente, os investimentos no desenvolvimento de Pitanga, pela Brava Energia, e nos campos de Caburé e Murucututu, pela Alvopetro, reforçam a importância da continuidade das atividades de desenvolvimento da produção e do aproveitamento econômico de ativos existentes. No Maranhão, a produção avançou 16,9%, impulsionada principalmente pelas operações da Eneva na Bacia do Parnaíba. A expansão da infraestrutura de liquefação ampliou as possibilidades de comercialização do gás natural liquefeito (GNL), permitindo alcançar também consumidores que não estão conectados à malha de gasodutos. São exemplos de como soluções tecnológicas e logísticas podem ampliar mercados e viabilizar novas oportunidades de negócio. Alagoas também apresenta resultados relevantes. A produção estadual cresceu 2,9%, com destaque para os campos de Pilar e Furado. A Origem Energia vem investindo em novos poços e intervenções para recuperação da produção e desenvolvendo um projeto pioneiro de estocagem subterrânea de gás natural. Essas iniciativas demonstram o potencial dos ativos terrestres e a importância de soluções que contribuam para a flexibilidade e a seguranMarcio Felix Marcio Felix é engenheiro eletrônico pela UnB, com especialização em engenharia de petróleo pela Universidade Petrobras, MBA em Gestão Empresarial pela UFRJ e formação em Parcerias e Alianças Estratégicas pelo Insead. Atualmente é presidente da Energy Platform (EnP) e da Abpip - Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás.

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