continuação do artigo “Produtores independentes transformam o mercado de GN do Nordeste” ça do abastecimento. O fornecimento de gás da companhia à Vale, no Espírito Santo, ilustra ainda a capacidade de a produção nordestina atender consumidores de outras regiões, ampliando sua integração aos mercados nacionais. No Rio Grande do Norte, embora tenha sido registrado um recuo de 14,7%, o estado continua produzindo mais de um 1,0 milhão de m3 diariamente e reúne ativos, conhecimento operacional e infraestrutura que representam uma base importante para novas oportunidades de desenvolvimento. A experiência acumulada na produção terrestre e o potencial de recuperação dos campos maduros reforçam a importância de investimentos contínuos, de ganhos de eficiência e de soluções que prolonguem a vida produtiva desses ativos. Nesse contexto, estruturas como o Polo de Guamaré mantêm valor estratégico para o processamento e o escoamento da produção. O desafio é transformar essa base instalada em novas oportunidades de investimento, preservando a atividade econômica, os empregos e a contribuição do estado para a oferta regional de energia. Em Sergipe, o crescimento de 14,8% da produção vem acompanhado de avanços nas relações comerciais que ilustram a evolução do mercado. Contratos de fornecimento de gás para indústrias cerâmicas, envolvendo Brava Energia e Eneva, demonstram como a diversificação de fornecedores pode ampliar as alternativas de contratação e favorecer a competitividade dos consumidores industriais. São experiências distintas, mas que apontam para uma mesma direção: a transformação do mercado de gás natural depende não apenas da capacidade de produzir, mas também das condições para processar, transportar, armazenar e comercializar esse recurso de forma competitiva. Os produtores independentes têm papel fundamental nesse processo. Sua atuação amplia a diversidade de agentes, estimula investimentos e favorece o desenvolvimento de soluções adaptadas às características de cada região. Em muitos casos, isso significa recuperar ativos existentes, aproveitar estruturas já instaladas e viabilizar oportunidades que, de outra forma, poderiam permanecer subutilizadas. Nesse contexto, a implantação efetiva da nova Lei do Gás é especialmente importante para o Nordeste. A legislação estabelece as bases para um mercado mais aberto, competitivo e integrado, com maior participação de diferentes agentes e melhores condições de acesso às infraestruturas essenciais. Sua implementação pode contribuir para reduzir barreiras à entrada, ampliar a oferta de gás, estimular novos investimentos e aproximar produtores e consumidores. Para uma região com produção distribuída entre diferentes estados, ativos terrestres, campos maduros, projetos de recuperação e alternativas como o GNL, a nova Lei do Gás pode criar condições para que essas oportunidades sejam aproveitadas de maneira mais eficiente. O acesso negociado e não discriminatório a gasodutos, unidades de processamento e 44 Brasil Energia, nº 508, 30 de outubro de 2026
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