Brasil Energia, nº 508, 30 de outubro de 2026 49 Durante o evento ROG.e 2026, a diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Renata Baruzzi, afirmou que a empresa “estava pronta para ir ao mercado, iniciar a licitação, mas resolveu dar um passo atrás e avaliar o impacto do Gas Release no portfólio”. Atualmente, a empresa mantém bid aberto para a contratação do pátio de armazenamento de tubos destinados ao trecho terrestre do gasoduto. Também está em curso a concorrência para o fornecimento de tubos para o trecho terrestre, além da licitação para compra de árvores de natal molhadas e sistemas submarinos. Além do desafio do Gas Release, SEAP impõe outras adversidades que precisam ser enfrentadas. A área está localizada em lâmina d’água de 2,5 mil metros e os reservatórios estão localizados 6 mil metros de profundidade total, segundo o geólogo João Clark, consultor e executivo na área. Ele diz que apesar de serem campos ultraprofundos, como os da Bacia de Santos, em Sergipe, a taxa de sucesso exploratório é de aproximadamente 30%, bem menor do que no pré-sal. Outro empecilho, diz Clark, é que se trata de óleo parafínico, que tende a se solidificar em dutos frios. SEAP ainda possui de 8% a 12% de CO2 associado ao gás natural, o que exige uma unidade de remoção antes do envio do produto ao gasoduto. O capex de US$ 60 bilhões é, por si só, um desafio. Do ponto de vista logístico, há a barreira da infraestrutura existente em Sergipe, porque a base de apoio deverá estar localizada em Aracaju (SE) e o porto local não comporta o trânsito de navios de apoio de grande porte. Já o gasoduto é desafiador por cruzar áreas ambiental e socialmente sensíveis, de pesca artesanal. O licenciamento no Ibama tende a ser um gargalo. O sucesso de SEAP pode significar também a chegada de novos investidores, segundo Clark. “Bacias que têm projeto produtivo despertam sempre interesse. Os investidores vão chegar”, afirmou o especialista. Ferreira, do Ineep, complementa que os benefícios do SEAP não decorrerão automaticamente do aumento da produção. O desafio é transformar a nova fronteira de produção em um vetor de dinamização econômica regional. A disponibilidade de grandes volumes de petróleo e gás não assegura, por si só, a instalação de novas indústrias, a geração de empregos qualificados ou a ampliação da renda. “O alcance econômico e social do SEAP dependerá, portanto, de uma escolha estratégica de política energética: tratá-lo como um empreendimento voltado predominantemente à extração de petróleo e gás ou integrá-lo a um projeto nacional que articule produção de energia, segurança do abastecimento, industrialização, desenvolvimento regional e transição energética. É essa integração que poderá converter o potencial geológico de Sergipe em capacidade produtiva, geração de renda e desenvolvimento duradouro para o estado e para o país”, disse o pesquisador. n
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